Investimento estrangeiro direto se volta a setores de alta tecnologia e megaprojetos, indica levantamento internacional

Mercado Financeiro1 mês atrás62 Visualizações

O fluxo de Investimento Estrangeiro Direto (IED) passou a se concentrar em setores ligados à tecnologia e à transição energética desde 2022, segundo análise do McKinsey Global Institute (MGI) que avaliou cerca de 200 mil anúncios de projetos greenfield realizados no mundo a partir de 2015.

Principais constatações

• Redução no número de projetos, mas com valores mais altos: o IED apresenta menor quantidade de iniciativas, porém de porte financeiro superior.

• Foco em áreas consideradas “formadoras do futuro”: aproximadamente 75% dos anúncios globais de IED desde 2022 destinam-se a semicondutores, data centers, baterias, veículos elétricos, energia e minerais críticos. Antes da pandemia, essa fatia era pouco superior a 50%.

• Reposicionamento geopolítico: empresas preferem investir entre países vistos como parceiros politicamente e regulatoriamente confiáveis. O capital de economias avançadas tem se dirigido sobretudo aos Estados Unidos, enquanto o aporte desses mesmos países na China recuou de maneira expressiva.

• Megainvestimentos ganham espaço: operações acima de US$ 1 bilhão representam cerca de 1% do total de projetos, mas concentram perto de metade do valor anunciado, abrangendo fábricas de semicondutores, gigafábricas de baterias, grandes plantas de energia e centros de dados.

Impactos nos setores financeiro e produtivo

Os novos projetos exigem estruturas sofisticadas de financiamento, maior uso de project finance e compartilhamento de riscos com bancos de desenvolvimento e organismos multilaterais. Instituições financeiras precisam considerar fatores regulatórios, ambientais e geopolíticos além dos indicadores tradicionais de crédito.

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Imagem: redir.folha.com.br

Infraestruturas digitais, como data centers, demandam capital elevado e dependem de energia barata e estável. Relatórios recentes da Agência Internacional de Energia alertam para o risco de excesso de capacidade e de retornos abaixo do esperado caso a evolução tecnológica não ocorra no ritmo previsto.

Situação do Brasil

Especialistas avaliam que o país tende a não se tornar polo global em semicondutores ou em data centers hyperscale, mas possui vantagens competitivas em energia renovável, minerais críticos, base industrial diversificada e mercado interno de grande escala. Iniciativas como o programa Redata buscam inserir o Brasil na nova geografia do investimento em infraestrutura digital, mas enfrentam desafios de previsibilidade regulatória, integração com o setor elétrico e desenho de incentivos de longo prazo.

Experiências internacionais indicam que políticas eficazes para atrair IED reduzem ineficiências estruturais e aperfeiçoam o ambiente de negócios, sem substituir o critério econômico do investidor.

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