O fluxo de capital estrangeiro sustentou a alta recente da Bolsa de Valores de São Paulo, que alcançou 178,8 mil pontos no Ibovespa na última sexta-feira (23), acumulando valorização de 11,4% em 20 dias.
De acordo com levantamento da B3, o ETF UTLL11 — que replica empresas de utilidade pública, principalmente do setor de energia elétrica — liderou o desempenho entre os fundos negociados em bolsa em 2025, com ganho de 63%. No mesmo período, o Ibovespa subiu 34%.
Dados compilados pela reportagem mostram que o governo Lula 3 registrou o maior volume de concessões de infraestrutura desde a criação da Lei de Concessões, em 1995. A marca inclui leilões de portos, rodovias e aeroportos, além de renovações no setor elétrico.
No caso da energia, as concessões foram prorrogadas por até 30 anos. O processo envolveu disputas judiciais, questionamentos sobre multas e cobranças por falhas no serviço, mas resultou em novos contratos com metas e exigências de investimento.
O Plano Nacional de Energia 2055, elaborado pela Empresa de Pesquisa Energética (EPE), indica que o Estado não dispõe de espaço fiscal para financiar a expansão e a modernização do sistema elétrico. O documento aponta a transferência de ativos à iniciativa privada como alternativa para triplicar a capacidade de atendimento até 2050, viabilizar a transição energética e digitalizar a rede.
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Gestores internacionais avaliam que o setor elétrico brasileiro oferece contratos longos, receitas reguladas e reconhecimento de Capex, fatores que reduzem o risco político e tornam as empresas atraentes em comparação a outros mercados emergentes. A migração de recursos que deixam os Estados Unidos em busca de maior retorno explica, em parte, o movimento de alta das ações brasileiras.
Enquanto o debate eleitoral ganha força, o mercado financeiro segue atento ao calendário de concessões e aos fluxos de caixa projetados para os próximos anos.