A procura por aplicações conservadoras em meio aos juros elevados impulsionou a migração de recursos para cooperativas de crédito. De dezembro de 2024 a setembro de 2025, a carteira de renda fixa do Sicoob avançou 17%, saindo de R$ 187,9 bilhões para R$ 219,9 bilhões.
O principal responsável pelo salto é o Recibo de Depósito Cooperativo (RDC), que já corresponde a 81% do total aplicado e concentrou R$ 32 bilhões em novos aportes no período.
Semelhante ao CDB oferecido por bancos, o RDC remunera o investidor pelos recursos emprestados à instituição. A diferença central é o vínculo societário: ao aplicar no título, o investidor torna-se cooperado, participando dos resultados da cooperativa.
De acordo com Matheus Cabral, private banker da Guardian Capital, a taxa contratada — por exemplo, 98% do CDI — pode chegar a um retorno efetivo de até 135% do CDI quando somada às “sobras” distribuídas anualmente aos cooperados.
Questionado sobre riscos, Francisco Reposse Junior, diretor comercial e de canais do Sicoob, afirma que o RDC é coberto pelo Fundo Garantidor do Cooperativismo de Crédito (FGCoop), com limite de R$ 250 mil por CPF, equivalente ao modelo do FGC dos bancos. Otávio Araújo, consultor sênior da Zero Markets Brasil, ressalta a ausência do teto global de R$ 1 milhão a cada quatro anos, permitindo maior diversificação entre cooperativas.
O número de cooperados com aplicações no Sicoob aumentou de 1,54 milhão para 1,67 milhão em nove meses, movimento atribuído à busca de solidez após liquidações extrajudiciais de instituições como Banco Master e Will Bank.
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Além do RDC, os fundos de investimento da cooperativa registraram expansão de 346% desde 2023, alcançando patrimônio líquido de R$ 1 bilhão. Segundo Mario Sergio Dornas, diretor de gestão de recursos de terceiros do Sicoob, quase 99% dos recursos de varejo estão concentrados em um fundo DI, evidenciando preferência por liquidez e estabilidade.
Especialistas recomendam avaliar indicadores como Índice de Basileia e nível de inadimplência antes de escolher uma cooperativa. Relatórios anuais e ratings de risco de sistemas como Sicredi e Sicoob também ajudam na análise de solidez, observa Araújo.
Para Sérgio Samuel dos Santos, economista do Sistema Ailos, a reputação da instituição segue sendo fator decisivo para qualquer decisão de investimento.