O Banco Pleno, antigo Voiter, está em busca de um parceiro que injete recursos e, como contrapartida, possa assumir também a gestão do Credcesta, cartão de benefício consignado presente em 24 estados e 176 municípios. A informação foi confirmada por executivos do setor de crédito consignado e pela própria instituição, que afirmou, em nota, avaliar “oportunidades de parcerias estratégicas para o fortalecimento da operação”.
Pessoas próximas às negociações afirmam que o interessado precisaria aportar, inicialmente, pelo menos R$ 1 bilhão no banco. Estima-se ainda a necessidade de outros R$ 2 bilhões para dar fôlego à instituição. O Fundo Garantidor de Créditos (FGC) poderia participar, oferecendo linha emergencial ou subsídio à transação, segundo fontes do mercado.
O Banco Central autorizou, em julho de 2025, a venda do então Voiter para o empresário Augusto Ferreira Lima, ex-sócio do Banco Master. Quatro meses depois, Lima foi preso na Operação Compliance Zero, que investiga supostas fraudes na venda de carteiras do Master ao Banco Regional de Brasília (BRB); ele responde em liberdade, monitorado por tornozeleira eletrônica.
De acordo com dados de junho de 2025, o Pleno registrava patrimônio líquido de R$ 672,6 milhões e lucro de R$ 169,3 milhões. O passivo, porém, somava R$ 6,68 bilhões, dos quais R$ 5,4 bilhões em Certificados de Depósito Bancário (CDBs). Por determinação do BC, o banco está impedido de emitir novos CDBs, o que dificulta o cumprimento de compromissos financeiros; no mercado secundário, esses títulos chegaram a ser negociados a 165% do CDI para vencimento em 2025.
O ativo tem sido oferecido a diversos investidores, inclusive ao grupo J&F, dos irmãos Joesley e Wesley Batista, que planejam expandir sua presença em crédito consignado e contrataram Márcio Alaor, ex-BMG, para liderar essa frente. Apesar da atratividade do Credcesta, o Banco Pleno é visto como problemático. Procurada, a J&F afirmou, em nota, que “não tem interesse em nenhum dos ativos mencionados” e segue focada no processo de IPO do PicPay.
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Fundado como Banco Indusval, o conglomerado passou por sucessivas reestruturações, virou Voiter em 2019 e, após tentativas frustradas de venda — incluindo oferta da Capital Consig em 2023 e aquisição pelo Master em fevereiro de 2024 — foi transferido a Lima em 2025, sendo rebatizado como Banco Pleno.
Em nota, a instituição destacou estar plenamente autorizada a operar pelo Banco Central, cumprir as exigências do Conselho Monetário Nacional e não ser alvo de investigações ou processos de órgãos reguladores. O texto acrescenta que a exposição ao FGC vem sendo gradualmente reduzida desde o início das atividades.