Lucro das estatais federais alcança R$ 136,3 bilhões até o 3º trimestre de 2025, alta de 22,5% em um ano

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Brasília – As 44 empresas controladas pela União registraram lucro agregado de R$ 136,3 bilhões entre janeiro e setembro de 2025, crescimento nominal de 22,5% frente ao mesmo período de 2024, informou o Ministério da Gestão e Inovação (MGI) nesta quinta-feira (29).

O resultado, contudo, não foi uniforme. Das 39 estatais que já entregaram balanços do terceiro trimestre, 20 apresentaram desempenho pior, com redução de lucro ou aumento de prejuízo.

Principais quedas

A piora mais acentuada ocorreu nos Correios, cujo déficit chegou a R$ 6,1 bilhões nos nove primeiros meses de 2025, quase três vezes o rombo de R$ 2,1 bilhões apurado um ano antes. No fim de 2024, a companhia obteve empréstimo de R$ 12 bilhões garantido pelo Tesouro Nacional, vinculado a um plano de reestruturação que prevê corte de gastos com pessoal e novas fontes de receita.

O Banco do Brasil também viu seu lucro recuar: R$ 12,8 bilhões até setembro, contra R$ 26,7 bilhões em igual intervalo de 2024. A instituição atribuiu a queda às maiores provisões para inadimplência, sobretudo em contratos de crédito rural. O governo já autorizou condições facilitadas para a renegociação desses débitos.

Entre as demais estatais com deterioração estão BNDES, ENBPar (que controla Eletronuclear e a participação brasileira em Itaipu), Casa da Moeda, Banco da Amazônia e Conab. ENBPar e Casa da Moeda figuram na lista do Tesouro de empresas com situação financeira considerada frágil.

Melhoras expressivas

Outras 19 companhias reportaram avanço nos resultados, lideradas pela Petrobras. O grupo petrolífero apurou lucro de R$ 94,6 bilhões nos três primeiros trimestres de 2025, aumento de 75% em relação ao ano anterior.

A Caixa Econômica Federal registrou lucro de R$ 13,5 bilhões, ante R$ 9 bilhões no mesmo período de 2024. Já a Infraero reduziu seu prejuízo de R$ 214,5 milhões para R$ 19,8 milhões. Segundo o MGI, o desempenho da operadora aeroportuária foi impactado pelo programa de demissão voluntária e pelo registro contábil de investimentos concentrado em um único exercício, já que a empresa não é proprietária dos terminais que administra.

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Imagem: redir.folha.com.br

Dependência do Tesouro e dividendos

Das 44 estatais federais, 17 são classificadas como dependentes, isto é, custeiam parte ou todas as despesas correntes com recursos orçamentários. Entre janeiro e setembro, essas empresas receberam subvenção de R$ 20,8 bilhões, alta nominal de 14,2% ante 2024.

As empresas não dependentes repassaram R$ 33 bilhões em dividendos à União, queda de 17,8% no comparativo anual.

Receita e investimentos

O faturamento conjunto das estatais somou R$ 1,01 trilhão no terceiro trimestre, avanço nominal de 6,3% sobre igual período do ano anterior. Os investimentos totalizaram R$ 86,4 bilhões até setembro, superando os R$ 64,4 bilhões de 2024, já descontada a inflação.

Dados preliminares indicam que, em todo o ano de 2025, os investimentos atingiram R$ 111 bilhões, frente a R$ 100,8 bilhões no exercício precedente.

O boletim trimestral do MGI, que reúne as informações, voltou a ser publicado após interrupção no fim de 2022.

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