Os contratos de margem comprados (longs) em Bitcoin (BTC) na corretora Bitfinex alcançaram 83.933 BTC, o maior patamar desde novembro de 2023. O movimento ocorreu na quinta-feira, antes de uma forte correção que derrubou tanto o mercado de ações quanto o de criptomoedas.
Mesmo com a elevação nas posições compradas, o preço do BTC recuou 26% nos últimos 90 dias e voltou a testar o suporte de US$ 84.000, menor valor em mais de dois meses. Na mesma sessão, liquidações de contratos futuros somaram US$ 360 milhões.
Na Bitfinex, o custo anual para tomar BTC emprestado permanece abaixo de 0,01%, já que a plataforma exige depósito de garantia superior ao valor da operação. Muitos investidores preferem a margem tradicional aos futuros para evitar o “carry cost” — atualmente perto de 5% ao ano nos contratos de BTC com vencimento a dois meses.
Profissionais costumam recorrer à estratégia “cash and carry”, comprando à vista ou em margem e vendendo futuros simultaneamente para capturar a diferença de taxa. Dessa forma, o aumento das posições compradas não implica, por si só, expectativa de valorização, pois é compensado pela venda de contratos futuros.
O prêmio anualizado dos futuros de dois meses normalmente varia entre 5% e 10%. Em períodos de forte otimismo, esse indicador ultrapassa 10%, o que só ocorreu recentemente no início de fevereiro de 2025, quando o BTC rondava US$ 103.500.
Imagem: cointelegraph.com
A busca por segurança ganhou força após as ações da Microsoft caírem 11%. O recuo foi atribuído ao aumento nos gastos de capital e à receita abaixo do esperado no segmento de servidores em nuvem. A companhia, avaliada em US$ 3,5 trilhões, possui US$ 625 bilhões em obrigações de desempenho ainda não faturadas, dos quais cerca de US$ 280 bilhões estão ligados à OpenAI.
No mesmo dia, o ouro chegou a despencar 8% em menos de 30 minutos, embora tenha recuperado metade das perdas rapidamente. O ETF SPDR Gold Shares (GLD) registrou volume recorde, superando US$ 25 bilhões. Com ouro e prata somando US$ 43,4 trilhões em capitalização, cresce a preocupação com uma possível “fuga para ativos escassos”, mesmo com rendimentos de renda fixa acima de 3,5% ao ano.
Apesar do pico nas posições compradas de Bitcoin na Bitfinex, dados de blockchain e de derivativos não apontam, por enquanto, sinais consistentes de retomada de alta para a criptomoeda.