Master foi sócio oculto de Roberto Justus na Steelcorp; participação agora está com o BRB

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São Paulo – Roberto Justus descobriu apenas depois da operação Carbono Oculto, deflagrada em 28 de agosto de 2025, que o Banco Master era o único cotista do SH Fundo de Investimentos em Participações Multiestratégia, detentor de 30% da construtora Steelcorp desde 2023.

O empresário é sócio majoritário e presidente da Steelcorp, fabricante de casas modulares em aço. A companhia tinha como investidor o SH FIP, administrado pela gestora Reag, cujo cotista era mantido sob sigilo. Dois anos depois, veio à tona que o investidor era o Master e, mais recentemente, que a fatia passou para o Banco de Brasília (BRB).

Estrutura societária

Documentos da Junta Comercial de São Paulo (Jucesp) confirmam que a Reag nunca figurou como sócia. Além de Justus, compõem o quadro societário a Potenza Administração e Empreendimentos, do empresário Marcelo Pieruzzi, e o SH FIP, cujo único cotista era o Master.

A empresa foi criada em julho de 2023, com o nome Dry Service Construction. Em outubro daquele ano, emitiu bônus de subscrição de R$ 75 milhões ao SH FIP, garantindo 30% de participação. Os recursos seriam usados para compra de máquinas, capital de giro e construção de fábrica própria.

Em julho de 2024, a companhia passou a se chamar Steelcorp e registrou a integralização dos R$ 75 milhões do fundo, além de R$ 2 milhões aportados por Justus e Pieruzzi. No mesmo mês, João Carlos Falbo Mansur, então CEO da Reag, tornou-se conselheiro independente da construtora.

Negociação com o Master

Em setembro de 2024, a Steelcorp enviou ao Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) comunicado formalizando a entrada do Banco Master por meio do fundo Dynamic, ligado a Daniel Vorcaro. O valor da operação não foi divulgado. O aval do Cade demorou quase três meses, período considerado incomum por Justus.

Segundo o empresário, a relação esfriou em 2025. Sem a conversão prometida pelo Master, o contrato foi desfeito.

Impacto da operação Carbono Oculto

A ação da Polícia Federal que investigou a infiltração do PCC no mercado financeiro apontou a Reag como gestora de fundos associados ao crime organizado. Após a operação, Mansur foi retirado do conselho e a Steelcorp exigiu da Reag a identificação do cotista do SH FIP.

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Imagem: redir.folha.com.br

O fundo entrou em liquidação e transferiu seu patrimônio, superior a R$ 526 milhões, para o recém-criado SH II FIP, em agosto de 2025. No documento de liquidação, o Master apareceu pela primeira vez como cotista.

Entrada do BRB

Hoje, 10% da Steelcorp pertencem ao SH II FIP, já sob controle do BRB, que tentou comprar o Master em 2025, mas foi impedido pelo Banco Central em setembro daquele ano. Justus diz não saber como a participação migrou para o banco brasiliense e pretende procurá-lo “na hora certa”.

Aporte de capital

Para recuperar o controle, Justus informou ter investido R$ 300 milhões neste mês, elevando sua fatia para 90% e quitando passivos que seriam liquidados com recursos do Master.

“Não quero sócios tóxicos”, declarou o empresário, que afirma buscar parceiros estratégicos fora do mercado financeiro.

As defesas de Daniel Vorcaro e João Carlos Mansur não comentaram. A Reag não se manifestou.

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