O Ibovespa encerrou janeiro de 2026 com valorização de 12,56%, ultrapassando pela primeira vez os 186 mil pontos e alcançando o melhor desempenho mensal desde novembro de 2020.
Na última sessão do mês, o dólar recuou 4,40% frente ao real e foi negociado a R$ 5,2476.
O forte movimento comprador foi impulsionado pela rotação global de ativos, que levou investidores a deslocar recursos dos Estados Unidos para mercados emergentes após o aumento das tensões geopolíticas envolvendo o presidente norte-americano Donald Trump. Até 28 de janeiro, estrangeiros aportaram R$ 23 bilhões na B3, maior volume mensal desde janeiro de 2022 e equivalente a mais de 90% de todo o ingresso registrado em 2025 (R$ 25,47 bilhões).
No ambiente doméstico, o ano eleitoral ganhou espaço nas mesas de operação. Pesquisas de intenção de voto mantêm o presidente Luiz Inácio Lula da Silva na liderança no primeiro turno, embora com vantagem menor sobre o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) em eventual segundo turno. No plano externo, Mercosul e União Europeia assinaram acordo de livre-comércio após 26 anos de negociações.
As incertezas globais aumentaram depois da ação militar dos Estados Unidos na Venezuela. Em seguida, Trump declarou que Washington e Caracas “trabalham bem juntos” e que grandes petroleiras devem investir ao menos US$ 100 bilhões no país sul-americano.
O mercado acompanhou ainda os desdobramentos da liquidação da Will Financeira S.A., controlada pelo Banco Master. Em 21 de janeiro, o Banco Central decretou a liquidação extrajudicial da instituição, e a Polícia Federal cumpriu mandados de busca contra três autoridades do Rioprevidência para apurar supostas operações irregulares.
Em 30 de janeiro, o Comitê de Política Monetária (Copom) manteve a Selic em 15% ao ano pela quinta vez consecutiva, mas retomou o forward guidance e sinalizou corte de juros na reunião de março. A perspectiva de redução de 0,50 ponto percentual passou a ganhar força na curva de juros.
Imagem: Liliane de Lima via moneytimes.com.br
Nos Estados Unidos, o Federal Reserve deixou sua taxa básica na faixa de 3,50% a 3,75% ao ano, interrompendo o ciclo de cortes iniciado em setembro de 2025. A decisão não foi unânime: Stephen Miran e Christopher Waller defenderam redução de 0,25 ponto. O mês terminou com a indicação de Kevin Warsh para a presidência do Fed, em substituição a Jerome Powell, cujo mandato termina em maio.
Cogna (COGN3) liderou os ganhos do índice, avançando 43,99% após revisões positivas de bancos, entre eles o JPMorgan, que elevou a recomendação para compra e fixou preço-alvo em R$ 6,50. Petrobras (PETR4) subiu 22,52%, apoiada pela elevação de 13,9% do Brent, que terminou janeiro cotado a US$ 69,32; com o movimento, a estatal voltou a superar R$ 500 bilhões em valor de mercado.
Demais destaques de alta:
Vivara (VIVA3) puxou as perdas, caindo 15,22% em meio à valorização de 9,30% do ouro, que pressiona custos para o setor de joias. Outras retrações relevantes incluíram:
Com a forte entrada de recursos, o início da temporada eleitoral e a expectativa de corte de juros, o principal índice da B3 começou 2026 em nível recorde, sustentando o ritmo positivo observado no ano anterior.