Analistas apontam Tesouro Selic como estrela de 2026 após BC manter Selic em 15%

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A permanência da taxa básica em 15% ao ano pelo Banco Central, pela quinta reunião consecutiva, reforçou a expectativa de início do ciclo de cortes a partir de março. Com a mudança de cenário, especialistas veem o Tesouro Selic como principal opção do investidor em 2026, embora o Tesouro Direto siga no centro das atenções.

Sinalização do BC e ritmo de cortes

No comunicado que manteve a Selic, o BC afirmou que o momento “impõe serenidade quanto ao ritmo e à magnitude” das reduções, indicando um processo lento. A projeção predominante é de que a taxa permaneça em dois dígitos até o fim do ano.

Oportunidade nos pós-fixados

Segundo Camilla Dolle, chefe de renda fixa da XP Investimentos, o Tesouro Selic se destaca por oferecer liquidez e proteção em um ambiente considerado mais previsível antes das eleições. Nas últimas semanas, o papel chegou a remunerar Selic mais 0,09 ponto percentual.

Analistas recomendam agilidade: quando o ciclo efetivamente começar, grande parte do ajuste de preços já terá acontecido. Hoje, os papéis seguem com taxas consideradas atrativas: prefixados de curto prazo ao redor de 13% ao ano e títulos indexados ao IPCA perto de 7% ao ano.

Prefixados como aposta para ganho de capital

Para Bruno Perri, economista-chefe da Forum Investimentos, vencimentos em torno de três anos oferecem boa relação risco-retorno. Com taxas ainda acima de 12% ao ano, esses títulos tendem a se valorizar caso a trajetória de queda da Selic se confirme entre 2026 e 2027.

O Boletim Focus projeta a Selic em 12% no fim de 2026. Travar aplicações próximas de 13% pode resultar em rendimento superior ao da taxa básica no período. Entretanto, eventuais pioras no cenário econômico podem elevar novamente as taxas, impactando preços de mercado.

Proteção com IPCA+ no longo prazo

Para prazos acima de cinco anos, Jeff Patzlaff, planejador financeiro, recomenda títulos indexados à inflação. Apesar da recente queda, esses papéis ainda pagam juros reais historicamente elevados, flertando com 8% ao ano, nível que os especialistas veem convergir para algo em torno de 5%.

O Focus indica IPCA de 4,02% em 2026, acima da meta de 3%. Para Patzlaff, a necessidade de conter pressões inflacionárias deve manter os juros em patamar alto, reforçando a importância de proteger o poder de compra do investidor.

Diversificação continua essencial

Lucas Constantino, estrategista-chefe da GCB Investimentos, ressalta que quanto maior o prazo do título, maior a sensibilidade à curva de juros. Por isso, orientação é diversificar entre Tesouro Selic, prefixados de curto prazo e IPCA+ de vencimentos mais longos, evitando concentração em um único papel.

Nesse ambiente de transição — juros elevados hoje, mas com trajetória de queda à frente — especialistas reiteram que a janela atual pode oferecer os melhores retornos para quem montar a carteira antes de os cortes ficarem evidentes.

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