O Bitcoin (BTC) iniciou a primeira semana de fevereiro nos menores níveis em 16 meses, intensificando expectativas de queda para valores inferiores a US$ 50.000 antes de uma recuperação consistente, segundo vários operadores e analistas de mercado.
Após um fim de semana negativo, o par BTC/USD superou a mínima de abril de 2025 e alcançou o patamar mais baixo desde novembro de 2024, de acordo com dados do TradingView. O movimento reforçou o sentimento de baixa observado no fechamento semanal e mensal.
O trader conhecido como Roman afirmou na plataforma X que “76k é o último suporte antes da região de 50k”, acrescentando que o elevado volume na queda corrobora a leitura de mercado em fase de baixa. Para ele, a zona dos US$ 50.000 — ou até abaixo dela — é o próximo alvo provável.
Michaël van de Poppe, operador e analista, destacou que a capitulação recente em metais preciosos pode antecipar novas perdas em criptoativos. Ele lembrou que a prata recuou mais de 40% em apenas dois dias, enquanto o ouro caiu para US$ 4.400 por onça na Ásia, apagando mais de 20% desde o recorde de US$ 5.600 e retirando cerca de US$ 4 trilhões do valor de mercado combinado entre ouro e prata.
No gráfico semanal, o Índice de Força Relativa (RSI) do Bitcoin chegou a 32,2, apenas dois pontos acima da zona considerada sobrevendida. O trader Mags observou que níveis semelhantes só haviam sido vistos no fim do mercado de baixa de 2022. No curto prazo, o RSI diário apresenta a leitura mais sobrevendida desde que o preço estava em US$ 26.000.
Já o analista Titan of Crypto alertou que o estocástico RSI mensal permanece abaixo de 20, sinal que, historicamente, indica início de ciclos de baixa prolongados e demanda tempo adicional para formação de fundo.
Atenção de investidores institucionais se voltou para lacunas abertas nos contratos futuros de Bitcoin da CME, localizadas em US$ 84.000 e US$ 95.000. Para Andre Dragosch, chefe de pesquisa na Bitwise na Europa, o grande gap sugere que o recuo recente pode ser um fake out, ainda que analistas mantenham cautela.
Imagem: cointelegraph.com
Com a temporada de balanços corporativos em andamento nos Estados Unidos — destaque para Amazon e Alphabet nesta semana —, o mercado lida com forte aversão a risco. A Mosaic Asset Company advertiu que o padrão de ombro-cabeça-ombro em formação no BTC/USD pode sinalizar aperto de liquidez mais à frente, especialmente enquanto o dólar norte-americano ensaia recuperação após tocar 95,50 pontos no Índice DXY.
O cenário é agravado pela nomeação de Kevin Warsh para a presidência do Federal Reserve, vista como potencialmente mais hawkish, e por dados do Índice de Preços ao Produtor (PPI) acima do esperado em dezembro.
Análise da CryptoQuant indica esvaziamento da procura spot por Bitcoin nos Estados Unidos. O Coinbase Premium — diferença entre o preço da cripto na Coinbase (BTC/USD) e na Binance (BTC/USDT) — permanece negativo desde meados de dezembro, atingindo -0,177 em 30 de janeiro, pior marca em mais de um ano. Para o analista TeddyVision, valores mais profundos e persistentes apontam para “demanda doméstica ausente”, deixando as sessões de Wall Street suscetíveis a pressões vendedoras.
Enquanto isso, operadores como CrypNuevo projetam que uma reversão só deve ocorrer após o preço revisitar a faixa próxima dos antigos recordes de 2021, alimentando o debate sobre até onde o BTC poderá cair antes de estabelecer um novo piso de mercado.