São Paulo — O Grupo Fictor informou ter perdido 70% dos valores aportados por seus clientes, o equivalente a quase R$ 2 bilhões, desde 18 de novembro, data em que o Banco Central decretou a liquidação do Banco Master. A informação foi dada pelo advogado Carlos Deneszczuk, do escritório DASA Advogados, responsável pela condução do pedido de recuperação judicial (RJ) apresentado no domingo, 1º de fevereiro.
O requerimento envolve as empresas Fictor Holding e Fictor Invest e lista dívidas superiores a R$ 4 bilhões. De acordo com Deneszczuk, a proposta prevê a quitação integral dos débitos, sem deságio, em prazo máximo de cinco anos.
A Fictor atribui a crise de liquidez ao anúncio, feito em 17 de novembro, de uma proposta de compra do Banco Master em conjunto com fundos dos Emirados Árabes Unidos não identificados. No dia seguinte, o BC determinou a liquidação da instituição financeira, estendendo a desconfiança para a Fictor e desencadeando os resgates.
O grupo estruturava Sociedades em Conta de Participação (SCP) para investir em negócios e empresas. Com a fuga de recursos, o pagamento de dividendos desses arranjos foi comprometido. Esses investimentos não contam com a cobertura do Fundo Garantidor de Créditos (FGC).
Segundo o advogado, até novembro não havia registro de atrasos. A reestruturação teria sido sugerida pela Royal Capital, investidor internacional que integrava o consórcio interessado na compra do Banco Master.
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Na semana passada, a desembargadora Maria Lúcia Pizzotti, da 30.ª Câmara de Direito Privado do Tribunal de Justiça de São Paulo, determinou o bloqueio cautelar de R$ 150 milhões da Fictor. A decisão busca assegurar garantia prevista em contrato de operação de cartões de crédito empresariais com a Orbitall, processadora da bandeira American Express.
Em 2024, o grupo criou a Fictor Pay, subadquirente que fornece maquininhas de cartão e serviços de tecnologia. No ano seguinte, lançou um cartão corporativo com a bandeira American Express. O pedido de RJ informa que o produto chegou a movimentar R$ 200 milhões por mês. A empresa pretende lançar versão para pessoa física.
Atualmente, a Fictor Pay opera em nove estados, possui 500 clientes e já processou R$ 2,2 bilhões em seus terminais.