Em teleconferência realizada na quarta-feira após a divulgação dos resultados trimestrais, executivos da Alphabet informaram que a companhia estuda destinar entre US$ 175 bilhões e US$ 185 bilhões em gastos de capital em 2026 para expandir a capacidade de computação voltada à inteligência artificial.
Segundo o CEO Sundar Pichai, os aportes em IA já se refletem em crescimento de receita em diversos segmentos, incluindo busca, nuvem e produtos corporativos. “Nossos investimentos e infraestrutura em IA estão impulsionando receitas e expansão em toda a empresa”, afirmou.
No balanço mais recente, a Alphabet alcançou pela primeira vez mais de US$ 400 bilhões em receita anual, demonstrando a força dos negócios principais mesmo com o aumento dos dispêndios em infraestrutura de IA.
A teleconferência foi a primeira desde o lançamento do Gemini 3. O aplicativo registrou 750 milhões de usuários ativos mensais no trimestre encerrado em dezembro, contra 650 milhões no período anterior. Embora ainda fique atrás do ChatGPT — cujo CEO informou contar com mais de 800 milhões de usuários semanais —, Pichai destacou a elevação do engajamento após a chegada da nova versão.
O Gemini 3 já está integrado à experiência de busca do Google e sustenta as ofertas de IA para empresas, que somam 8 milhões de licenças pagas.
A receita do Google Cloud avançou 48% no trimestre, reforçando a percepção de que os desembolsos em IA trazem retorno financeiro concreto. Mesmo assim, as ações chegaram a recuar 6% no after-market antes de se estabilizarem, sinalizando que o mercado aceitará despesas elevadas apenas se forem acompanhadas de resultados claros.
Imagem: Bradford Betz FOXBusiness via foxbusiness.com
Com caixa robusto e múltiplas fontes de lucro — da busca ao YouTube, passando pelos serviços em nuvem —, a Alphabet dispõe de recursos para sustentar o chamado “braço de ferro” da IA. Desde o início do ano passado, a empresa deixou a condição de retardatária para se posicionar entre as líderes do grupo “Magnificent Seven”, sendo rivalizada em valor de mercado apenas por Nvidia e Apple.
O crescente custo de expansão da OpenAI tem evidenciado a vantagem da Alphabet. “Se você é uma empresa de software ligada à OpenAI, torna-se ainda menos atraente para os investidores. No momento, o Google está com a mão quente”, avaliou Eric Clark, gestor do LOGO ETF.
Além da aposta em IA, outras gigantes de tecnologia também divulgam números robustos. A Apple reportou o maior salto de vendas em quatro anos, impulsionado pela “estonteante” demanda por iPhones, enquanto o Spotify passou a representar um terço da receita total da indústria fonográfica gravada em 2025.