Os governos dos Estados Unidos e da Argentina assinaram na quinta-feira um acordo de comércio e investimentos que reduz ou elimina tarifas sobre uma ampla gama de produtos norte-americanos e reforça a cooperação em áreas econômicas e de segurança nacional.
O documento, segundo o Escritório do Representante Comercial dos EUA (USTR) e a Presidência argentina, prevê a remoção de barreiras tarifárias e não tarifárias, modernização de procedimentos aduaneiros e estímulo a investimentos em setores estratégicos como energia, minerais críticos, infraestrutura e tecnologia.
O tratado foi formalizado pelo representante comercial dos EUA, Jamieson Greer, e pelo chanceler argentino, Pablo Quirno. Ele complementa um acordo-quadro fechado em 13 de novembro.
Redução de tarifas: Argentina vai cortar ou zerar impostos de importação sobre medicamentos, dispositivos médicos, produtos químicos, máquinas, veículos, itens de tecnologia da informação e diversos alimentos agrícolas dos EUA.
Reconhecimento de normas: Buenos Aires aceitará padrões de segurança e regulamentação norte-americanos para automóveis e dispositivos médicos, além dos critérios do Departamento de Agricultura dos EUA (USDA) para carne e aves.
Serviços digitais: o país sul-americano se compromete a não cobrar tarifas sobre transmissões de dados transfronteiriças nem criar imposto digital que afete empresas de tecnologia dos EUA.
Setor agropecuário: o mercado argentino será aberto a produtos avícolas norte-americanos em até um ano, e exigências para a entrada de carne bovina e suína serão simplificadas.
Indicações geográficas: a Argentina não limitará o uso, por exportadores dos EUA, de nomes de queijos como asiago, feta e camembert, considerados de origem restrita pela União Europeia.
Imagem: Jasmine Baehr FOXBusiness via foxbusiness.com
O acordo prevê colaboração mais estreita no controle de exportações de itens de uso dual com possível aplicação militar e na proteção da infraestrutura de telecomunicações argentina. Embora não mencione a China, o texto cita o combate a práticas comerciais desleais de “terceiros países”.
A Argentina também vai trabalhar com governos provinciais para facilitar investimentos norte-americanos em projetos de cobre, lítio e outros minerais críticos, priorizando os EUA em relação a “economias ou empresas que manipulam o mercado”, de acordo com o USTR.
O Executivo argentino enviará o acordo ao Congresso Nacional para análise. Em nota, a Casa Rosada afirmou que a medida faz parte da estratégia de integrar o país à economia global de forma “aberta, competitiva e previsível”.
Jamieson Greer classificou a parceria entre o presidente dos EUA, Donald Trump, e o presidente argentino, Javier Milei, como modelo para as Américas. Já Pablo Quirno, em publicação nas redes sociais, celebrou o entendimento como “grande conquista” para as duas nações.
Antes da assinatura, Milei presenteou o empresário Elon Musk com uma motosserra adornada com a criptomoeda Dogecoin, gesto simbólico de sua promessa de cortar gastos públicos.