São Paulo, 14 mar (Fictício) – A Stellantis informou nesta sexta-feira que lançará uma provisão de US$ 26,5 bilhões em seus resultados referentes ao segundo semestre de 2025, reflexo da diminuição no ritmo de produção de veículos elétricos (EVs) e de revisões em sua cadeia de suprimentos.
A montadora, que reúne marcas como Chrysler, Jeep, Dodge, Ram, Fiat e Maserati, soma-se a outras fabricantes que contabilizaram prejuízos após subestimarem a real demanda por modelos totalmente elétricos. O valor é superior aos encargos recentemente anunciados por Ford e General Motors.
Sob a gestão do então presidente-executivo Carlos Tavares, a companhia havia estipulado que, até 2030, os veículos elétricos corresponderiam a 100% das vendas na Europa e a 50% nos Estados Unidos. Tavares deixou o cargo em 2024, diante da queda das vendas no mercado norte-americano, onde a empresa depende fortemente das margens obtidas com as picapes Jeep e Ram.
Antonio Filosa, que assumiu o comando no meio do ano passado, afirmou a repórteres que as projeções anteriores eram “excessivamente otimistas”. Segundo ele, a Stellantis está promovendo um “reajuste estratégico” para recolocar as preferências dos consumidores no centro das decisões.
No ano passado, veículos totalmente elétricos representaram 19,5% das vendas na Europa e apenas 7,7% dos emplacamentos de carros novos nos EUA.
Além da redução no ritmo de produção de EVs, o valor de US$ 26,5 bilhões inclui:
Imagem: Eric Revell FOXBusiness via foxbusiness.com
As ações negociadas em Nova York recuaram mais de 22% durante o pregão desta sexta-feira. Em Milão, os papéis caíram mais de 23%.
Para 2026, a Stellantis projeta aumento de receita líquida em faixa média de um dígito e margem operacional ajustada em baixa de um dígito. A empresa espera gerar fluxo de caixa industrial positivo em 2027 e não deverá distribuir dividendos este ano.
O diretor de investimentos da AJ Bell, Ross Mould, avaliou que o ajuste mostra como a montadora “errou o timing” da transição para motores elétricos, enquanto o êxito de concorrentes chinesas, como a BYD, levanta dúvidas sobre a aceitação dos modelos da Stellantis.