Consumidores que liquidaram empréstimos ou faturas de cartão junto ao Will Bank passaram a constar como inadimplentes do Banco de Brasília (BRB) no Sistema de Informações de Crédito (SCR) do Banco Central, acessado pelo serviço Registrato. As queixas se intensificaram nas últimas semanas e envolvem valores que seguem sendo atualizados com juros.
A relação entre as duas instituições decorre da venda de carteiras de crédito do antigo controlador do Will Bank, o Banco Master, para o BRB. Segundo o banco brasiliense, depois que o Will Bank entrou em liquidação, o liquidante deixou de repassar dados sobre pagamentos e baixas, impedindo a atualização correta dos contratos no SCR.
Em nota, o BRB afirmou que o banco de origem é responsável por acompanhar as quitações e, em seguida, enviar as informações ao comprador da carteira. A estatal diz estar pronta para corrigir os registros assim que receber os dados faltantes.
A trabalhadora rural Derlane Hermisdolffe, 34 anos, de Água Doce do Norte (ES), renegociou uma fatura de cartão que havia alcançado cerca de R$ 10 mil e a quitou por R$ 1.695,13. Mesmo com a conta encerrada, ela apareceu no Registrato, no mês passado, com dívida superior a R$ 50 mil em nome do BRB. O banco prometeu analisar a situação até 11 de fevereiro; enquanto isso, o montante segue crescendo.
A assistente de logística Lavínia Machado, 28 anos, descobriu uma suposta pendência de R$ 3.377 após ter um financiamento imobiliário negado. Informada pelo BRB de que os pagamentos dos clientes do Will Bank não estariam sendo repassados, ela aguarda solução desde o prazo de sete dias úteis dado pela instituição e já ingressou na Justiça.
Laís Rocha, 21 anos, mantém em dia um parcelamento de R$ 100 no aplicativo do Will Bank, mas viu seu score de crédito despencar quando surgiu no SCR uma dívida vencida que já ultrapassa R$ 1.000 sob a responsabilidade do BRB. Ela continua pagando as quatro parcelas restantes e aguarda retorno do banco.
Imagem: redir.folha.com.br
No portal Reclame Aqui, multiplicam-se relatos semelhantes: consumidores afirmam nunca ter sido clientes do BRB, mas aparecem com débitos atribuídos ao banco, mesmo após quitação no Will Bank.
O advogado Jorge Calazans, especializado em fraudes financeiras, explica que falhas de comunicação são comuns em processos de liquidação extrajudicial, sobretudo quando há transferência abrupta de bases de dados. Ele ressalta que, após a liquidação, o liquidante indicado pelo Banco Central deve corrigir as inconsistências, embora possa haver corresponsabilidade do comprador da carteira.
O especialista recomenda que o consumidor abra protocolo com o liquidante, registre reclamação no Procon e conteste as informações junto ao Banco Central. Caso a pendência persista ou haja urgência de crédito, é possível acionar a Justiça para retirar o apontamento e pleitear indenização por danos morais e materiais. A orientação é reunir todos os comprovantes de quitação antes de iniciar qualquer medida.