A Ofner, rede paulistana de confeitarias e cafeterias com 70 anos de mercado, deixou de operar 24 horas em suas unidades de rua por considerar a segurança pública o principal entrave para o modelo. A avaliação é de Denilson Moraes, diretor-presidente da companhia.
Segundo o executivo, na década de 1980, quando as discotecas impulsionavam a vida noturna, padarias, mercados e docerias funcionavam ininterruptamente, e a Ofner seguia a mesma lógica. “Hoje as pessoas saem à noite e vão direto para casa de carro; não circulam mais pela rua depois das 2h”, afirmou. Atualmente, as lojas de rua da rede ficam abertas até esse horário apenas de quinta a sábado.
Com 30 unidades concentradas principalmente em shopping centers, a empresa inicia em 2026 um novo ciclo de expansão de dez anos. A meta é alcançar 50 pontos de venda em até cinco anos, priorizando locais com estacionamento e público menos sensível a variações de preço.
A previsão de faturamento para 2026 é de R$ 400 milhões, alta de 20% ante o ano anterior. O crescimento deve manter ritmo semelhante nos períodos seguintes, segundo Moraes.
A Ofner descarta recorrer ao franchising para acelerar a abertura de lojas. Moraes argumenta que o modelo facilitaria a expansão, mas traria risco à padronização da confeitaria artesanal. Por isso, todas as unidades continuarão sob gestão própria.
No exterior, a empresa fornece produtos a uma rede de supermercados do Texas, com 300 lojas, mantém operação temporária na Flórida e planeja abrir outra pop-up em Nova York ainda este ano. O aumento de tarifas de importação nos Estados Unidos, anunciado pelo ex-presidente Donald Trump, surpreendeu a companhia a poucos dias de um embarque, mas não alterou os planos; ao contrário, a Ofner decidiu dobrar o investimento no país em 2025 e repetir o aporte em 2026.
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De acordo com Moraes, juros e endividamento elevados não afetam a expansão, pois a empresa não toma crédito bancário. Todos os investimentos são bancados com recursos gerados em caixa.
A fragilidade dos doces limita o avanço no comércio eletrônico, apesar de investimentos em tecnologia. O café é hoje o principal atrativo das lojas, com vendas reforçadas por salgados, doces e chocolates — itens que ganham destaque em datas como a Páscoa.
Nos próximos três meses, a rede pretende abrir uma loja de grande porte no Shopping Bourbon, na capital paulista, além de novas unidades de rua nos bairros Anália Franco e Santana.
Perfil do executivo: Denilson Moraes, 46 anos, nasceu em Ibiúna (SP), é formado em administração de empresas e acumula mais de duas décadas de experiência em cargos de liderança. Atuou como presidente do Grupo La Pastina e foi gerente administrativo da JBS antes de assumir o comando da Ofner.