A filósofa polonesa Bogna Konior lançou em 3 de fevereiro de 2026 o livro A Teoria da Floresta Escura da Internet, no qual compara o ambiente digital e os sistemas de inteligência artificial a uma “floresta escura” repleta de perigos ocultos.
No texto, Konior se apoia na hipótese criada pelo escritor chinês Liu Cixin para o paradoxo de Fermi — a ideia de que civilizações avançadas permanecem em silêncio para não serem destruídas — e transpõe o conceito para o universo online. Segundo a autora, a internet estimula usuários a publicar dados pessoais, curtidas e opiniões, comportamento que atrai “predadores” interessados em explorar essas informações.
A filósofa, que leciona estudos de mídia em Xangai e passa parte do tempo na Ucrânia, defende que a atitude mais segura nesse cenário é a discrição. Manter-se calado, esconder traços digitais e praticar a dissimulação passam a ser, para ela, sinais de inteligência.
Konior também aplica o raciocínio às próprias máquinas. Inspirada no conceito de “mimicretinismo” do escritor polonês Stanislaw Lem, ela afirma que uma inteligência artificial realmente avançada não exibirá todo o seu potencial, preferindo ocultar capacidades para evitar ameaças humanas.
Imagem: redir.folha.com.br
Com essa inversão de papéis, a autora sustenta que transparência deve ser exigida das máquinas, enquanto o silêncio torna-se uma estratégia de autoproteção para as pessoas.