O governador do Distrito Federal, Ibaneis Rocha (MDB), cancelou o jantar que realizaria com deputados distritais aliados na noite desta segunda-feira (9) após a indicação de que o encontro teria baixa adesão. A reunião ocorreria em meio à crise provocada pela investigação sobre a venda de carteiras falsas do Banco Master ao Banco de Brasília (BRB).
Segundo dois parlamentares ouvidos sob reserva, o convite partiu do gabinete do governador. Três locais chegaram a ser cogitados: a residência oficial do governo (atualmente desocupada), a casa particular de Ibaneis e, por último, o endereço do secretário da Casa Civil, Gustavo Rocha. Diante da possibilidade de falta de quórum, o encontro foi suspenso sem nova data definida.
O presidente da Câmara Legislativa do DF, Wellington Luiz (MDB), nega que a agenda tenha sido derrubada por falta de apoio. Ele afirma que o grupo optou por adiar a conversa para depois do Carnaval porque alguns deputados estão viajando. “Não há resistência da base em se reunir com o governador”, declarou.
Seria o primeiro encontro de Ibaneis com a Casa neste ano legislativo. A base governista conta hoje com 17 dos 24 distritais, mas nenhum deles defendeu o Executivo na sessão de abertura dos trabalhos, na semana passada, quando a oposição fez críticas duras. O governador não compareceu à solenidade nem enviou representante. Wellington Luiz justificou a ausência afirmando que o momento era “delicado” e que a tribuna deveria ficar apenas para os parlamentares.
Um deputado governista afirmou que a crise do BRB atingiu diretamente a base em ano eleitoral. Parte do grupo se diz enganada por ter aprovado, em 2025, a compra do Banco Master com informações limitadas fornecidas pelo BRB e pelo Palácio do Buriti.
O governo do DF é o acionista majoritário do banco público, e a operação precisou do aval da Câmara Legislativa. O projeto passou por 15 votos a 7 e foi sancionado por Ibaneis no dia seguinte, em edição extra do Diário Oficial.
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Banco Central, Ministério Público Federal e Polícia Federal apuram a venda de cerca de R$ 12,2 bilhões em carteiras de crédito consignado falsas do Master ao BRB. Os investigadores apontam que a compra teria sido aprovada para encobrir as irregularidades e salvar o banco controlado por Daniel Vorcaro.
O Banco Central já determinou que o BRB constitua provisão de R$ 2,6 bilhões para possíveis perdas e não descarta exigir valor maior, de acordo com depoimento do diretor de Fiscalização da autarquia, Aílton de Aquino, à Polícia Federal em dezembro.
Na última sexta-feira (6), o presidente do BRB, Nelson Antônio de Souza, apresentou um plano de capitalização ao BC com quatro medidas: venda de ativos saudáveis do Master, empréstimo com consórcio de bancos, linha de crédito com o Fundo Garantidor de Créditos (FGC) e criação de fundo imobiliário com bens do governo distrital. Parte das propostas depende de novo aval dos deputados.
O prosseguimento de iniciativas de oposição, como a abertura de CPI ou pedido de impeachment, deve ocorrer apenas se as investigações apontarem envolvimento direto de Ibaneis. Até o momento, o governador tem dito a aliados que seu erro foi confiar no ex-presidente do BRB Paulo Henrique Costa.