Com cerca de 1,4 milhão de trabalhadores com carteira assinada, o setor de telesserviços figura entre os maiores empregadores do país, segundo dados da Associação Brasileira de Telesserviços (ABT). Presente em todo o território nacional, o segmento tem forte atuação em cidades médias e em polos localizados fora das capitais, contribuindo para a geração de renda e para o desenvolvimento regional.
Levantamento da ABT aponta que mais de 70% dos profissionais da área são mulheres e mais de 60% se declaram negros. O setor também abriga cerca de 20% de pessoas que se identificam como LGBTQIA+ e emprega mais de 14 mil pessoas trans, oferecendo uma rara oportunidade de inserção formal a esses grupos.
No Nordeste, entre 2024 e 2025, aproximadamente 60% dos novos contratados estavam inscritos no Cadastro Único para Programas Sociais (CadÚnico) ou eram beneficiários do Bolsa Família, de acordo com o Ministério do Desenvolvimento Social. O percentual representa mais de 130 mil trabalhadores em situação de vulnerabilidade que passaram a ter renda estável.
Embora ainda carregue a imagem de “subemprego” associada ao telemarketing tradicional, o setor oferece vínculo formal, direitos trabalhistas e treinamento corporativo básico. Para muitos empregados, essa é a porta de entrada no mercado de trabalho, onde desenvolvem competências em comunicação, resolução de problemas e uso de ferramentas digitais.
Imagem: redir.folha.com.br
Discussões sobre mudanças regulatórias e tributárias previstas para ocorrer a partir de 2026 são consideradas decisivas para o futuro da atividade. Empresas do segmento afirmam operar com margens reduzidas e defendem políticas públicas baseadas em dados, diálogo e previsibilidade, a fim de manter competitividade e ampliar os impactos sociais positivos.
O texto original em que os dados foram apresentados integra a seção “Políticas e Justiça”, editada por Michael França. No espaço, o autor Gustavo Faria sugeriu a música “Another Brick in the Wall”, do Pink Floyd, aos leitores.