A taxa básica de juros pode recuar até 3 pontos percentuais ao longo de 2026, segundo projeção do sócio e estrategista-chefe do BTG Pactual, Tiago Berriel. A avaliação foi apresentada nesta terça-feira (10) durante a CEO Conference 2026, um dia após o Comitê de Política Monetária (Copom) manter a Selic em 15% ao ano e sinalizar início do ciclo de afrouxamento já em março.
Berriel prevê que o Banco Central comece o processo com um corte de 0,50 ponto percentual. Caso o calendário eleitoral transcorra sem turbulências e sem pressões adicionais sobre o câmbio, o ritmo poderia ganhar velocidade nos encontros seguintes.
Entre as condições apontadas pelo estrategista para uma redução mais agressiva estão:
Em um cenário favorável, as próximas duas reuniões do Copom serão, segundo ele, decisivas para confirmar ou não cortes acumulados de 1 ponto percentual até meados do ano.
No mesmo painel, o economista-chefe do BTG Pactual, Mansueto Almeida, destacou a necessidade de contenção de despesas no próximo governo. Ele lembrou que os gastos federais avançaram 9% nos últimos oito anos e devem encerrar o atual mandato com alta de 20% em quatro anos.
Para Almeida, o patamar elevado de juros está diretamente ligado ao aumento de gastos e à pressão inflacionária. O economista estima déficit nominal próximo de 8,5% do Produto Interno Bruto (PIB) em 2026, nível superior ao observado em países como França, Reino Unido e Estados Unidos, onde o indicador varia entre 5% e 6% do PIB.
Imagem: Seu Dinheiro via moneytimes.com.br
Almeida reforçou que o ajuste fiscal terá de vir pelo controle de despesas: “Não é possível repetir nos próximos quatro anos o que foi feito nos últimos quatro”, afirmou.
O economista acrescentou que, com a taxa de desemprego em 5,1%, o espaço para expansão via mercado de trabalho diminuiu. Segundo ele, a força de trabalho cresce cerca de 0,8% ao ano e a produtividade, mesmo em cenário otimista, 1%, o que coloca o PIB potencial abaixo de 1,5% ao ano. “Crescer 2% já será um desafio”, disse.
Também presente ao debate, Eduardo Loyo, sócio do BTG, defendeu postura mais rígida do Federal Reserve para garantir a convergência da inflação à meta de 2% nos Estados Unidos. Ele ressaltou que as condições para cortes na economia norte-americana, onde os juros estão entre 3,50% e 3,75% ao ano, são “bem menos favoráveis” que no Brasil.
Enquanto isso, o mercado local segue atento às próximas decisões do Copom e à evolução do quadro fiscal, fatores que devem determinar até onde o ciclo de redução da Selic poderá avançar.