A Microsoft anunciou nesta terça-feira (10) que está testando cabos supercondutores de alta temperatura para alimentar seus data centers nos Estados Unidos. A tecnologia, segundo a companhia, pode aumentar a densidade de energia dos complexos sem ampliação da área física, ao mesmo tempo em que reduz a infraestrutura necessária para transmitir eletricidade.
Husam Alissa, líder da equipe de tecnologia de sistemas no escritório de cooperação e inovação da empresa, explicou que as linhas supercondutoras “ajudam a aumentar a densidade de potência sem expandir nossa presença física” e diminuem o impacto nas comunidades vizinhas.
Diferentes dos condutores de cobre ou alumínio usados na rede elétrica, os cabos supercondutores utilizam um material parecido com cerâmica capaz de transportar eletricidade de forma mais eficiente. Embora ainda inédita em data centers, a adoção desses fios pode agilizar o processo de energização dos grandes complexos de servidores.
A Microsoft não informou quanto investiu na iniciativa nem o prazo para implantação em escala comercial.
Estudos do governo norte-americano indicam que, até 2028, os data centers podem consumir cerca de 12% de toda a eletricidade produzida no país, três vezes mais que quatro anos antes. Novos parques de servidores exigem mais de um gigawatt cada — volume suficiente para abastecer aproximadamente 750 mil residências.
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A tecnologia supercondutora é pesquisada há décadas, mas tem enfrentado custos elevados e desafios de fabricação. Com interesse em acelerar o desenvolvimento, a Microsoft tem aportado recursos em empresas da área, entre elas a VEIR, sediada em Massachusetts. A startup concluiu uma rodada de financiamento Série B de US$ 75 milhões no ano passado.
Em testes recentes, a VEIR utilizou um cabo supercondutor de três megawatts para alimentar um rack de servidores em um ambiente que simula um data center. Segundo a companhia, seus cabos podem ser mais de dez vezes menores e mais leves que os tradicionais, liberando espaço dentro das instalações.
Por enquanto, a gigante de tecnologia avalia os resultados dos testes para decidir quando e como levar a novidade às suas operações em larga escala.