São Francisco (EUA) – O diretor do Instagram, Adam Mosseri, afirmou nesta quarta-feira (10) a jurados em Los Angeles que o uso da rede social é mais comparável a “assistir vários episódios na Netflix de uma só vez” do que a um quadro de dependência clínica.
O depoimento ocorreu em processo movido por uma moradora da Califórnia que iniciou contato com o aplicativo aos 9 anos e, segundo a ação, desenvolveu depressão e distorção da imagem corporal. Ela processa a Meta, controladora do Instagram, e o YouTube, do Google, alegando que as empresas atraem deliberadamente usuários jovens apesar dos riscos para a saúde mental.
“Acho importante diferenciar dependência clínica de uso problemático”, declarou Mosseri. Ele mencionou que já disse estar “viciado” em séries quando faz maratonas noturnas, mas que isso não equivale a um diagnóstico médico.
O caso é visto como teste às proteções federais que isentam plataformas de responsabilidade sobre conteúdo gerado por usuários. A decisão pode influenciar centenas de ações semelhantes nos Estados Unidos. O presidente-executivo da Meta, Mark Zuckerberg, deve depor nas próximas semanas.
Os advogados questionaram Mosseri sobre filtros que simulam procedimentos estéticos e possíveis padrões de aparência irreal. E-mails de 2019 apresentados ao júri mostram discussão interna sobre manter o bloqueio a esses filtros. As equipes de políticas, comunicação e bem-estar defendiam a proibição; Mosseri e Zuckerberg apoiavam liberar os efeitos, mas impedir que fossem recomendados, medida descrita internamente como risco “notável” ao bem-estar com impacto limitado no crescimento.
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“Sempre há um equilíbrio entre segurança e liberdade de expressão”, disse o executivo. “Tentamos ser o mais seguros possível censurando o mínimo indispensável.”
A Meta sustenta que o ponto central do processo é determinar se o Instagram contribuiu de forma substancial para os problemas de saúde mental da autora. “As provas mostrarão que ela já enfrentava desafios significativos antes mesmo de usar redes sociais”, disse um porta-voz na terça-feira.
A companhia não respondeu de imediato a pedido de comentário adicional.