São Paulo – Analistas de energia e combustíveis preveem para os próximos dias uma definição sobre a situação financeira da Raízen, joint venture de Cosan e Shell que figura entre as maiores produtoras globais de açúcar e etanol e uma das principais distribuidoras de combustíveis do país.
A companhia enfrenta deterioração acelerada de caixa. A dívida líquida superou R$ 50 bilhões, patamar que, segundo especialistas, representa cerca de cinco vezes o limite considerado sustentável para uma operação do porte da empresa.
Em relatório divulgado na segunda-feira (9), o UBS estimou que a Raízen precisaria de um aporte de R$ 20 bilhões a R$ 25 bilhões para restabelecer o equilíbrio financeiro. Não há consenso entre os acionistas sobre a disposição de realizar a capitalização.
Entre os motivos apontados para o quadro atual estão:
No mesmo dia 9, a empresa anunciou a contratação da Rothschild & Co como assessora financeira e dos escritórios Pinheiro Neto Advogados e Cleary Gottlieb Steen & Hamilton LLP para avaliar alternativas de reestruturação, incluindo renegociação de dívidas e possível venda de ativos.
A possibilidade de anúncio iminente ganhou força na quarta-feira (11) após informações de que o BNDES estuda participar de um eventual aporte junto aos controladores. O governo acompanha a situação, mas há divergências dentro do banco público sobre envolver-se em empresa totalmente privada.
Paralelamente, a Bloomberg noticiou que credores já formaram um comitê e contrataram assessoria jurídica em preparação para negociações.
A Raízen está em período de silêncio até a divulgação de resultados prevista para quinta-feira (12) e não comenta a reestruturação. O BNDES também se mantém sem manifestação.
Imagem: redir.folha.com.br
Após o anúncio dos assessores, as três principais agências de classificação de risco rebaixaram a nota da Raízen na segunda-feira (9):
A Moody’s citou três fatores para o rebaixamento: dívida elevada, desempenho operacional ainda em recuperação e incerteza sobre aporte dos acionistas, sugerindo possibilidade de reestruturação em condições adversas ou próximo a um default.
Entre o fim de 2024 e o encerramento do segundo trimestre do ano-safra 2025/2026, a dívida líquida saltou de R$ 34,3 bilhões para R$ 53,4 bilhões, acréscimo de R$ 19 bilhões em seis meses.
O índice de alavancagem (dívida líquida sobre Ebitda ajustado) passou de 3,2 vezes para 5,1 vezes no mesmo intervalo. Valores acima de 5 vezes sinalizam risco financeiro elevado.
A expectativa agora recai sobre um anúncio oficial que detalhe a estratégia para enfrentar o endividamento e preservar a operação da companhia.