Apostadores on-line rivalizam com especialistas de Wall Street na previsão de indicadores econômicos

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Plataformas de apostas em eventos econômicos e políticos, como Kalshi e Polymarket, vêm mostrando que milhares de usuários anônimos conseguem prever dados econômicos com desempenho semelhante — e, em alguns casos, superior — ao de economistas e analistas que atuam em grandes bancos e gestoras.

Relatório de emprego expõe equilíbrio de acertos

No relatório de criação de vagas divulgado na quarta-feira, economistas consultados por instituições financeiras estimavam 68 mil novos postos de trabalho para o mês anterior, enquanto participantes da Kalshi apostavam em 54 mil. O número oficial ficou em 130 mil. Ambos os grupos erraram por ampla margem, mas praticamente na mesma proporção.

Estudos confirmam precisão dos apostadores

Um working paper divulgado pelo National Bureau of Economic Research analisou cinco anos de negociações na Kalshi e concluiu que, na média, os usuários da plataforma são tão precisos quanto especialistas treinados para projetar indicadores. O levantamento também apontou vantagem dos apostadores nas previsões de inflação e nas decisões sobre taxas de juros do Federal Reserve.

Pesquisa separada, conduzida por acadêmicos da London Business School e da Universidade Yale, avaliou contratos da Polymarket e constatou que os participantes, em geral, projetam resultados de empresas com mais exatidão do que analistas que recomendam compra ou venda de ações.

Incentivo financeiro e ausência de conflito de interesse

Para Theis Jensen, coautor do estudo de Yale, a principal explicação para o bom desempenho é o incentivo direto: quem aposta coloca dinheiro em risco, enquanto profissionais do mercado podem enfrentar conflitos, como a necessidade de manter clientes ativos ou evitar projeções controversas.

Mercados de previsão ganham tração

Embora os primeiros sites do gênero tenham surgido no início dos anos 2000, muitos acabaram fechados depois de ações regulatórias nos Estados Unidos. A Kalshi obteve decisão judicial que a autorizou a operar legalmente no país em 2024. Já a Polymarket continua limitada em vários estados norte-americanos, mas permanece acessível em parte do exterior.

Mesmo com restrições, o volume financeiro cresceu. Segundo analistas do setor, mais de US$ 60 milhões circulam diariamente em apostas sobre política e economia, cifra bem superior à registrada pelos pioneiros desse mercado.

Profissionais recorrem às cotações para calibrar estimativas

Michael Feroli, economista-chefe para os Estados Unidos no JPMorgan, admite acompanhar os preços negociados nessas plataformas para obter probabilidades objetivas. Ele ressalta, porém, que muitos contratos refletem o consenso de pesquisas tradicionais, sugerindo que apostadores também utilizam projeções oficiais como referência.

Tara Sinclair, professora da Universidade George Washington, alerta que, se os apostadores substituírem completamente os especialistas, perderão as análises de contexto que hoje embasam muitas decisões.

Especialização e uso como hedge

A empresa Stand, que integra operações entre Kalshi e Polymarket, observa que participantes costumam apostar em temas ligados às próprias áreas de trabalho. Um operador em Hong Kong, por exemplo, utiliza contratos ligados a tarifas comerciais para proteger posições em ações da Nvidia.

Possível adoção institucional

Justin Wolfers, da Universidade de Michigan, defende que órgãos como o Federal Reserve considerem esses mercados para aprimorar projeções. Segundo ele, a adoção ampliaria a participação de agentes externos no processo decisório, hoje concentrado em poucos economistas sêniores.

Superprevisores e inteligência artificial

O grupo Good Judgment aposta num método distinto: seleciona indivíduos com histórico consistente de acertos, formando equipes de “superprevisores” para questões de longo prazo. O diretor-executivo, Warren Hatch, vê espaço para convivência entre essa abordagem, os mercados de previsão de curto prazo e ferramentas de inteligência artificial, que ainda enfrentam limitações quando faltam dados ou quando fatores culturais dominam o cenário.

Apesar de divergências e incertezas, a ascensão dos mercados de previsão on-line desperta crescente interesse de investidores, acadêmicos e órgãos reguladores, que avaliam o potencial dessas plataformas como fonte alternativa — e, por vezes, mais eficiente — de informação sobre o futuro da economia.

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