São Paulo, 13 de outubro – O JPMorgan recomendou que investidores institucionais adotem uma posição vendida nos títulos do Tesouro norte-americano com vencimento em dois anos. Segundo o banco, os rendimentos de curto prazo têm pouco espaço para novas quedas, apesar de o mercado ainda precificar cortes de juros pelo Federal Reserve até 2026.
A orientação foi divulgada depois de os yields dos Treasuries recuarem entre 5 e 9 pontos-base até a última quinta-feira (12), movimento que achatou a curva de juros em meio a três fatores: desempenho fraco de ativos de risco, dados de emprego levemente abaixo das projeções e forte demanda nos leilões de recompra realizados em fevereiro.
Para a equipe do JPMorgan, os fundamentos da economia norte-americana permanecem sólidos. O banco avalia ainda que o indicado à presidência do Fed, Kevin Warsh, terá dificuldade para alterar de forma relevante a atual orientação do comitê. A expectativa é de manutenção dos juros ao longo de 2024, o que limitaria quedas adicionais nos rendimentos da parte curta da curva.
No leilão realizado nesta sexta-feira (13), o Treasury de 30 anos foi emitido a um rendimento 2,2 pontos-base abaixo do nível observado antes da oferta, com 94,1% do volume destinado a investidores finais – participação recorde.
Também nesta sexta, o índice de preços ao consumidor (CPI) dos Estados Unidos veio um pouco abaixo das estimativas, mas reforçou o quadro de inflação resistente e mercado de trabalho aquecido. Analistas afirmam que esse cenário sustenta uma postura cautelosa do Fed pelo menos até meados do ano.
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Apesar da aposta contra os Treasuries de dois anos, o JPMorgan manteve posição comprada em swaps de inflação de cinco anos, protegida por um hedge em energia. O banco lembra que os breakevens de cinco anos caíram 10 pontos-base no mês e se encontram 28 pontos-base abaixo do que considera valor justo, num ambiente de crescimento resiliente e possível aceleração inflacionária no primeiro semestre de 2026.
Na sessão desta manhã, os yields dos títulos norte-americanos continuavam em baixa: o rendimento do Treasury de 10 anos recuava 4 pontos-base, para 4,064%; o papel de 30 anos caía mais de 2 pontos-base, para 4,706%; e o de 2 anos diminuía mais de 5 pontos-base, para 3,414%.