NOVA YORK – Projetos empresariais voltados ao público conservador que apoia o slogan “Make America Great Again” (Maga), de Donald Trump, acumulam resultados fracos e dificuldades para crescer nos Estados Unidos.
Fundada em 2021 como loja virtual de produtos “pró-vida”, a PublicSquare viu suas ações perderem mais de 90% do valor desde que estrearam na Bolsa, em julho de 2023. Em 2023, a companhia anunciou mudança de foco: deixou o comércio eletrônico conservador para tentar atuar como empresa de tecnologia financeira.
Situação semelhante é observada na plataforma de vídeos Rumble. Voltada ao público denominado “anti-woke”, a ação subiu brevemente após a vitória de Trump, mas despencou conforme usuários, receita e lucro diminuíram.
Nos últimos anos, simpatizantes do Maga criaram uma lista de produtos próprios – de cerveja (Ultra Right Beer) a travesseiros (MyPillow), lâminas de barbear (Jeremy’s Razors) e operadoras de celular (Patriot Mobile). A maioria anuncia em veículos de mídia alinhados à direita, porém segue pequena e, em vários casos, sem lucratividade.
Para Jura Liaukonyte, professora de marketing da Universidade Cornell, o motivo é simples: “Há muitos consumidores conservadores, mas um grupo bem menor quer política embutida nas compras do dia a dia”. Segundo a pesquisadora, preço, qualidade e conveniência continuam determinando a maior parte das decisões de compra.
Imagem: redir.folha.com.br
Embora pequenas, as marcas Maga conseguem provocar prejuízos a empresas consolidadas. Em 2023, a Bud Light perdeu até US$ 1,4 bilhão em vendas depois de patrocinar uma influenciadora transgênero, segundo a controladora AB InBev. Três meses após a postagem, 15% dos consumidores habituais trocaram de cerveja; a Bud Light deixou de ser a mais vendida do país e segue perdendo participação, de acordo com a Nielsen.
Casos parecidos ocorreram com a rede de restaurantes Cracker Barrel, que precisou retomar o logotipo original após reclamações de conservadores, e com a Target. A varejista foi alvo de boicote em 2023 por vender produtos do Mês do Orgulho LGBTQIA+ e, no ano seguinte, reduziu a distribuição da linha temática, gerando críticas de grupos de direitos civis. As vendas da Target caíram em relação ao ano anterior em cada um dos últimos quatro trimestres.
O publicitário Larry Chiagouris avalia que a maioria das companhias prefere evitar temas políticos. “O maior segmento de consumidores do mundo é o do meio”, diz. Para empresas que dependem de públicos amplos, permanecer fora de polêmicas tende a ser o caminho considerado mais seguro.