Los Angeles (EUA) – O presidente-executivo da Meta, Mark Zuckerberg, prestou depoimento nesta quarta-feira em um processo considerado decisivo para a responsabilidade das empresas de tecnologia sobre a saúde mental de usuários adolescentes.
O caso, em tramitação na Suprema Corte do Condado de Los Angeles e conduzido pela juíza Carolyn Kuhl, foi aberto por uma californiana de 20 anos identificada pelas iniciais K.G.M. Ela alega que Facebook, Instagram e outras plataformas foram deliberadamente projetadas para criar dependência em crianças e adolescentes, resultando em depressão e pensamentos suicidas.
Durante o interrogatório, o advogado da autora, Mark Lanier, exibiu ao júri um slide de uma apresentação interna intitulada “Creating the Future”, que descrevia esforços para atrair gerações mais jovens “ansiosas para participar ativamente do mundo ao seu redor”. Zuckerberg reconheceu a precisão do resumo feito por Lanier, mas afirmou que o material se baseava em pesquisas externas que não haviam sido compartilhadas com ele.
Lanier também questionou o executivo sobre os 4 milhões de usuários com menos de 13 anos identificados no Instagram em 2018. Zuckerberg admitiu que a empresa não removeu todas as contas, mas disse que já utilizava ferramentas para detectar perfis fora da faixa etária permitida e continua aprimorando esses sistemas.
Uma decisão desfavorável à Meta pode resultar em indenizações bilionárias e obrigar mudanças no desenho das plataformas. O processo é visto como indicativo para centenas de ações semelhantes em todo o país e pode enfraquecer a tradicional defesa das empresas baseada na Seção 230, lei federal que limita a responsabilidade por conteúdo publicado por terceiros.
Imagem: Amanda Macias FOXBusiness via foxbusiness.com
A semana passada, o chefe do Instagram, Adam Mosseri, já havia negado que redes sociais sejam clinicamente viciantes, argumentando que priorizar lucros em detrimento do bem-estar dos usuários prejudicaria a própria companhia no longo prazo.
O julgamento segue sem a presença de câmeras; a magistrada advertiu que qualquer pessoa utilizando óculos inteligentes com recursos de inteligência artificial durante o depoimento seria considerada em desacato.
O caso K.G.M. v. Meta Platforms, Inc., et al. continua em andamento, e o veredicto deve servir de referência para ações futuras envolvendo grandes empresas de tecnologia.