NOVA YORK – Pagamentos feitos por empresas norte-americanas de porte médio a fornecedores chineses caíram cerca de 20% entre 2024 e 2025, segundo relatório divulgado nesta quinta-feira (data do estudo) pelo JPMorgan Chase Institute. O recuo ocorreu no mesmo período em que o governo Donald Trump elevou significativamente as tarifas sobre produtos vindos da China.
De acordo com o instituto, a alíquota efetiva média aplicada a importações chinesas alcançou 37,4% em outubro de 2025. Ao longo do ano, anúncios de novas taxações alteraram o cenário repetidamente, chegando momentaneamente a 125% antes de recuos posteriores.
O estudo analisou empresas que movimentaram ao menos US$ 5.000 para a China em 2023 e 2024. Entre essas companhias, aumentaram os desembolsos para outros destinos da Ásia, como Sudeste Asiático, Japão e Índia. Os autores apontam substituição de importações como possível explicação, mas destacam que outros fatores podem ter contribuído.
Clark Packard, pesquisador do Cato Institute, avalia que parte dos produtos pode estar sendo enviada a nações vizinhas, modificada e posteriormente remetida aos Estados Unidos com tarifas menores. Ele ressalta que, quando há “transformação substancial” no segundo país, a prática não é considerada transbordo ilegal.
Derek Scissors, do American Enterprise Institute, vê o aumento das importações de Vietnã e Taiwan como possível indício desse movimento. Segundo ele, fabricantes instalados na China poderiam realizar apenas a etapa final de produção em outro território para reclassificar a origem da mercadoria.
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O levantamento mostra ainda que os pagamentos mensais de tarifas por empresas de médio porte quase triplicaram em 2025. Os desembolsos, que giravam em torno de US$ 100 bilhões por mês até o início daquele ano, saltaram para aproximadamente US$ 300 bilhões no fim de 2025. A escalada começou em abril, coincidindo com as primeiras elevações de alíquotas no ano.
As conclusões indicam que, diante dos custos maiores para importar da China, companhias norte-americanas têm buscado alternativas na região, ao mesmo tempo em que arcam com um volume recorde de taxas alfandegárias.