A aproximação das eleições costuma elevar a incerteza nos mercados financeiros. Em 2026, a expectativa é de inflação e taxa Selic menores no Brasil, somadas a um cenário internacional de dólar mais fraco. Esse conjunto de fatores tende a influenciar câmbio, curva de juros e fluxo de capital estrangeiro, aumentando o prêmio de risco pago aos investidores dispostos a se expor.
Priscilla Cacavallo, gerente da Daycoval Investe, afirma que o período eleitoral acrescenta uma camada extra de dúvida sobre a condução da política econômica, sobretudo a fiscal. “Mais do que o resultado das urnas, o que move preços é a percepção de como será a gestão das contas públicas”, diz.
Levantamento da XP mostra que, historicamente, quatro frentes amplificam a volatilidade em anos de votação:
Diante disso, especialistas recomendam concentrar esforços em proteger a carteira contra oscilações, em vez de tentar adivinhar quem vencerá a disputa.
Segundo Cacavallo, o dólar é o ativo que responde mais rápido a dúvidas sobre disciplina fiscal. Sinais de comprometimento com as contas públicas costumam aliviar a cotação; indícios de gasto maior tendem a pressioná-la para cima.
Para quem busca proteção, a saída indicada é a diversificação internacional. O investidor pode:
A recomendação da gestora é tratar o câmbio como instrumento de hedge, não como aposta direcional, pois movimentos bruscos são difíceis de prever.
A trajetória da curva de rendimentos traduz projeções de inflação, crescimento e cenário fiscal. Compromisso com responsabilidade tende a comprimir as taxas longas; percepção de risco maior as eleva, encarecendo o crédito.
Imagem: infomoney.com.br
Para quem possui títulos indexados ao IPCA ou prefixados, a marcação a mercado pode gerar variações relevantes antes do vencimento. Caso as taxas longas subam, o preço do papel cai e pode abrir espaço para novas compras. Se recuarem, pode ser hora de realizar ganhos. A decisão depende do prazo do objetivo e do nível de conforto com volatilidade.
Na renda variável, o impacto raramente é uniforme. Segmentos ligados ao ciclo doméstico e à política econômica sofrem mais, enquanto empresas com balanços robustos costumam se destacar. Bruno Perri, economista-chefe da Forum Investimentos, cita setores de utilidade pública (saneamento, energia elétrica, telefonia) e bancos como opções defensivas, além de companhias maduras com forte geração de caixa.
Cacavallo sugere roteiros distintos conforme o investidor:
Independentemente do perfil, a atenção deve estar voltada para a trajetória fiscal, as sinalizações sobre política econômica, o comportamento da parte longa da curva de juros e o fluxo de capital estrangeiro. “Em ano eleitoral, disciplina pesa mais do que opinião”, resume Cacavallo.
A recomendação final da gestora é seguir uma ordem clara: primeiro, montar a proteção – ajustando liquidez e equilibrando a carteira entre pós-fixados, prefixados e papéis atrelados ao IPCA –; depois, usar a volatilidade como oportunidade quando o mercado precificar incertezas de forma exagerada.