UBS eleva projeção de inadimplência no crédito privado dos EUA diante de “ruptura severa” provocada pela IA

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O banco suíço UBS alertou, em relatório divulgado na terça-feira (24), que as taxas de default no mercado norte-americano de crédito privado podem alcançar 15% caso a inteligência artificial provoque uma “ruptura rápida e severa” entre empresas tomadoras de recursos. Há menos de um mês, a projeção dos estrategistas liderados por Matthew Mish era de 13%.

Setor de software no centro do risco

Gestoras de crédito direto, responsáveis por financiar companhias de software nos últimos anos, concentram aproximadamente 40% de seus empréstimos a empresas respaldadas por private equity nesse segmento. Segundo o UBS, o movimento torna inevitáveis comparações com a crise financeira de 2008.

Atualmente, a inadimplência no crédito privado oscila de 3% a 5%. Entretanto, indicadores como o uso crescente de juros pagos em espécie (PIK) já atingem níveis próximos ao auge observado no período pós-pandemia, aponta o banco.

Pressão sobre gestores de crédito privado

O ambiente de incerteza ganhou força após a Blue Owl Capital fechar permanentemente janelas de resgate de um dos seus fundos e vender ativos, medida que reduziu em US$ 2,4 bilhões o valor de mercado da gestora. A decisão contaminou as ações de outras casas do setor, como Ares Management, Blackstone e Apollo Global Management.

Business development companies (BDCs) listadas em bolsa também são pressionadas a devolver capital aos investidores. Na terça-feira, a New Mountain Finance Corp. anunciou a venda de quase US$ 500 milhões em ativos por 94 centavos de dólar, reforçando a cautela do mercado.

Analistas do Citigroup observam que, para levantar caixa, BDCs podem vender ativos a estruturas de obrigações de empréstimos colateralizados (CLOs), o que potencializaria a alavancagem em até dez vezes e mascararia riscos.

Alertas de nomes de peso

Em evento da iConnections Global Alts, em Miami Beach, o investidor ativista Boaz Weinstein afirmou que “as rodas podem se soltar” no crédito privado. Danny Moses, figura retratada em “A Grande Aposta”, comparou a procura de investidores de varejo por produtos privados ao período pré-crise do subprime.

No início da semana, Jamie Dimon, CEO do JPMorgan Chase, criticou “coisas estúpidas” feitas por alguns credores e traçou paralelos com o cenário anterior à crise de 2008.

Pontos de vista menos pessimistas

Parte do mercado vê exagero nas projeções negativas. Yuji Maeda, diretor sênior da Nomura Asset Management, considera improvável uma contração relevante no crédito privado, citando a retomada de fusões e aquisições e o aumento do capital de seguradoras nesse universo.

Dan Loeb, da Third Point, anunciou planos de lançar uma BDC em 2 de abril, reconhecendo algum estresse na exposição a software, mas sem prever “corrida bancária”. Bruce Flatt, CEO da Brookfield Corp., avaliou que o segmento ainda representa parcela pequena do mercado global de crédito, afastando risco sistêmico.

Efeitos potenciais em outros mercados

O UBS também vê espaço para elevação das inadimplências em empréstimos alavancados (até 6%) e em títulos de alto rendimento (até 10%) nos EUA, patamares superiores às estimativas anteriores de, respectivamente, 4% e 8%.

Bob Michele, chefe global de renda fixa da JPMorgan Asset Management, afirmou que os mercados de dívida alavancada podem se beneficiar de uma economia saudável, “desde que não haja grandes rupturas”. Para ele, “uma recessão é o ajuste final” ainda não precificado pelo crédito privado.

Apesar das divergências sobre a gravidade do cenário, o avanço da inteligência artificial sobre o setor de software permanece como principal foco de preocupação e continua a ditar o tom cauteloso no mercado de crédito norte-americano.

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