A Paramount Skydance anunciou nesta sexta-feira (27) a aquisição da Warner Bros. Discovery por aproximadamente US$ 110 bilhões, encerrando uma disputa que envolvia a Netflix e redesenhando o cenário da indústria do entretenimento.
O negócio, avaliado em US$ 81 bilhões em ações, deve ser concluído no terceiro trimestre de 2026, após aprovação dos acionistas da Warner Bros. Discovery, prevista para o início da primavera de 2026 no hemisfério Norte (outono no Brasil).
Na quinta-feira (26), a Netflix optou por não igualar a proposta mais recente da Paramount, de US$ 31 por ação. A oferta superou a anterior da própria Netflix, que havia oferecido US$ 27,75 por papel pelos estúdios e serviços de streaming da Warner.
A fusão reúne catálogos que somam mais de 15 mil títulos e franquias como “Game of Thrones”, “Harry Potter”, “Missão Impossível” e o universo da DC. Juntas, HBO Max e Paramount+ terão cerca de 200 milhões de assinantes globais, contra aproximadamente 325 milhões da Netflix.
A operação será financiada por US$ 47 bilhões em capital da família Ellison e da RedBird Capital Partners, além de US$ 54 bilhões em dívidas assumidas junto a Bank of America, Citigroup e Apollo. A Paramount ainda planeja emitir até US$ 3,25 bilhões em ações Classe B para investidores atuais.
As empresas preveem economizar mais de US$ 6 bilhões com integração tecnológica, enxugamento de estruturas administrativas e racionalização de operações.
No pregão desta sexta-feira em Nova York, as ações da Paramount avançaram 20%, enquanto os papéis da Netflix ganharam cerca de 13%. Já a Warner Bros. Discovery recuou 2,2%.
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O procurador-geral da Califórnia, Rob Bonta, afirmou que o estado já iniciou investigação “rigorosa” sobre o acordo. Na União Europeia, fontes próximas às negociações indicam que a aprovação antitruste tende a ocorrer sem grandes exigências de desinvestimento.
Para aumentar a atratividade da proposta, a Paramount elevou a multa por eventual fracasso regulatório para US$ 7 bilhões, ante os US$ 5,8 bilhões anteriores, e arcou com os US$ 2,8 bilhões devidos pela Warner à Netflix pela rescisão do acordo que mantinham.
O investidor ativista Ancora Holdings, que detém participação minoritária na Warner, pressionou a companhia a aceitar a oferta. Parlamentares de ambos os partidos nos Estados Unidos e o Writers Guild of America manifestaram preocupação com possível redução de concorrência, alta de preços para consumidores e riscos a empregos no setor cinematográfico.
A Paramount é comandada por David Ellison, filho do bilionário Larry Ellison, e mantém relações políticas próximas ao governo do ex-presidente Donald Trump, fator visto como potencial facilitador para aprovações federais.
Com a conclusão da operação, o conglomerado resultante figurará entre os maiores estúdios de cinema do mundo, ampliando sua capacidade de competir em um mercado cada vez mais dominado pelo streaming.