Os contratos de petróleo iniciaram a semana com forte valorização após a ofensiva de Estados Unidos e Israel que resultou na morte do líder supremo iraniano, Ali Khamenei. Por volta das 21h30 deste domingo (1º), horário de Brasília, o Brent avançava 8%, negociado a cerca de US$ 78,30 o barril, depois de atingir pico de 13% na abertura das negociações, às 20h. É o maior patamar desde janeiro de 2025.
No mercado futuro norte-americano, os índices S&P 500 e Nasdaq 100 recuavam aproximadamente 1%, enquanto o ouro subia 1,5% no mesmo horário.
A escalada dos preços é atribuída ao temor de restrições no estreito de Hormuz, rota por onde circula cerca de 20% da produção global de petróleo e que tem grande influência iraniana. Analistas já projetam valores acima de US$ 100 caso o fluxo seja comprometido.
Mais de 200 embarcações, entre petroleiros e navios de gás natural liquefeito, ancoraram nos arredores do estreito e em águas próximas nas últimas 24 horas, segundo dados de monitoramento marítimo.
Apesar de a Opep+ — liderada pela Arábia Saudita — ter acordado um aumento de 206 mil barris diários a partir de abril, especialistas afirmam que o acréscimo, equivalente a menos de 0,2% da oferta mundial, não compensará uma eventual interrupção causada pelo conflito.
Na sexta-feira (27), o Brent já havia subido 2% e encerrado a sessão a US$ 72,48. Desde o início do ano, a commodity acumula ganho de 19%.
Relatório do Citigroup divulgado antes da abertura deste domingo indica faixa de US$ 80 a US$ 90 para o Brent ao longo da semana. O Barclays, por sua vez, elevou sua estimativa de US$ 80 para cerca de US$ 100 o barril.
Seguradoras de risco de guerra avisaram armadores que as apólices para navios que cruzam o golfo Pérsico e o estreito de Hormuz serão canceladas ou reajustadas — os prêmios podem subir até 50% nos próximos dias, conforme o Financial Times.
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Companhias como CMA CGM, Hapag-Lloyd, Mitsui OSK Lines e NYK Lines determinaram que suas frotas evitem a região até que haja segurança para a travessia.
O Irã detém a quarta maior reserva comprovada de petróleo do planeta, mas sanções e falta de investimentos limitaram suas vendas externas. Em janeiro, o país produziu 3,45 milhões de barris por dia — menos de 3% da oferta global —, quase toda destinada à China.
No Brasil, a possível manutenção de preços elevados tende a favorecer exportadores de óleo bruto, que embarcaram US$ 44,5 bilhões em 2025, o equivalente a 12,8% das exportações nacionais, segundo o CBIE. Para o diretor da entidade, Adriano Pires, o barril só ultrapassará US$ 100 se o estreito de Hormuz for efetivamente fechado.
Também neste domingo, o Irã atingiu dois petroleiros na região. O primeiro, de bandeira de Palau, foi alvo de um projétil perto da costa de Omã, deixando quatro feridos. Horas depois, o MKD Vyon, com bandeira das Ilhas Marshall — país associado aos EUA —, sofreu outro ataque. Dados da MarineTraffic apontam redução drástica no tráfego de navios desde então.
Com a rota mais arriscada, operadores de mercado seguem monitorando a evolução do conflito e seus reflexos sobre a oferta global de energia.