O Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro deve praticamente empatar no último trimestre de 2025, mas fechar o ano com crescimento superior a 2%, apontam projeções de consultorias e instituições financeiras compiladas pela Bloomberg. Os dados oficiais serão divulgados pelo IBGE às 9h desta terça-feira (3).
A mediana das estimativas indica variação positiva de 0,1% no quarto trimestre em relação ao período de julho a setembro, repetindo a taxa registrada no terceiro trimestre, caso não haja revisão. Para o acumulado de 2025, a mesma pesquisa prevê alta de 2,3%, garantindo o quinto ano seguido de expansão, embora em ritmo menor que os 3,4% verificados em 2024 e as taxas iguais ou superiores a 3% apuradas nos quatro anos anteriores.
Analistas atribuem a perda de fôlego à política monetária adotada pelo Banco Central para conter a inflação. O ciclo de alta da Selic começou em setembro de 2024 e levou a taxa básica a 15% ao ano em junho de 2025, patamar mantido desde então. O encarecimento do crédito reduz a demanda por bens e serviços, esfriando a atividade econômica ao longo do tempo.
Segundo economistas, o avanço do PIB em 2025 concentrou-se nos primeiros meses do ano, impulsionado pela safra recorde de grãos. Também contribuíram o desempenho da indústria extrativa e a recuperação do mercado de trabalho. Por outro lado, os juros elevados limitaram consumo e investimentos.
Na MB Associados, o economista-chefe Sergio Vale estima queda de 0,2% para o PIB do quarto trimestre e avanço anual de 2,2%. Para 2026, ele prevê crescimento de 1,8%, citando menor contribuição das commodities e manutenção de juros altos, apesar de iniciativas do governo para estimular a economia, como a isenção do Imposto de Renda para rendas até R$ 5 mil.
Já Rodolpho Sartori, da Austin Rating, calcula expansão de 0,4% no quarto trimestre e de 2,3% no ano passado, seguida de alta de 1,7% em 2026. Ele ressalta que a agropecuária liderou o crescimento em 2025 e deve voltar a ter boa performance neste ano, porém abaixo do recorde anterior, enquanto a Selic continuará freando a demanda.
A divulgação dos números ocorre em meio à escalada do conflito no Irã, que já pressiona as cotações do petróleo. Sartori alerta que um aumento persistente do preço do barril encarece fretes e pode repercutir nos produtos finais, reacendendo pressões inflacionárias no Brasil.
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Para Vale, o cenário bélico tende a elevar as exportações brasileiras de petróleo, mas também pode afetar o ritmo de cortes na Selic. O Comitê de Política Monetária do Banco Central volta a se reunir em 17 e 18 de março, e o mercado ainda debate a intensidade da primeira redução dos juros.
O anúncio dos resultados do PIB acontece em meio a nova crise interna no IBGE. Em 19 de janeiro, a direção do instituto comunicou a saída de Rebeca Palis da coordenação de Contas Nacionais, área responsável pelo cálculo do PIB. A decisão levou ao pedido de exoneração de pelo menos três gerentes do mesmo departamento.
O servidor Ricardo Montes de Moraes foi indicado para substituir Palis, mas o IBGE não informou quem apresentará os dados nesta terça. A presidência do órgão, comandada pelo economista Marcio Pochmann, enfrenta resistência de parte do corpo técnico desde 2024, quando o sindicato criticou projetos como a fundação IBGE+, que acabou suspensa pelo TCU e agora passa por extinção.
Até a manhã de segunda-feira (2), o instituto não havia respondido a questionamentos sobre a apresentação dos resultados.