Os contratos do Brent, referência global do petróleo, avançaram fortemente na manhã desta terça-feira (3) após o Irã anunciar o bloqueio do estreito de Hormuz à navegação. Às 8h45, o barril era negociado a US$ 84,31, alta de 8% em relação ao fechamento anterior. Pouco antes, por volta das 8h, a cotação chegou a US$ 85,10, o nível mais alto desde 19 de julho de 2024, quando tinha tocado US$ 85,35.
A resposta do mercado veio poucas horas depois de a Guarda Revolucionária iraniana ameaçar incendiar qualquer embarcação que tente cruzar o corredor marítimo que separa o Irã da península Arábica. O trecho, com apenas 40 km no ponto mais estreito, é rota de cerca de 20% do petróleo e do gás natural liquefeito consumidos diariamente no planeta, principalmente por China e Índia.
O movimento desta terça ocorre após uma sequência de tensões que já pressionava os preços. No domingo (8), primeiro pregão depois dos ataques dos Estados Unidos e de Israel que mataram o líder supremo iraniano, Ali Khamenei, o Brent havia disparado 13% na abertura. Desde segunda-feira (2), companhias de petróleo e gás em diversos países do Oriente Médio suspenderam operações diante da escalada do conflito.
O Irã produz aproximadamente 3,3 milhões de barris por dia — cerca de 3% da oferta mundial —, mas tem peso maior no mercado por controlar o acesso ao estreito de Hormuz. A interrupção do fluxo por esse corredor eleva o risco de falta de oferta ao redor do globo.
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Analistas afirmam que a alta nas cotações internacionais pode pressionar os preços dos combustíveis no Brasil e adiar um eventual corte na taxa básica de juros. O tamanho do impacto, contudo, dependerá da duração e da intensidade do bloqueio no estreito.
Especialistas esperam forte volatilidade nos próximos dias, mas destacam que a oferta global ainda supera a demanda, o que pode limitar ganhos adicionais do barril.