GPA envia carta a fornecedores para garantir pagamento em meio à crise financeira

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São Paulo — O Grupo Pão de Açúcar (GPA) encaminhou nesta terça-feira (3) uma carta aos fornecedores para assegurar que os compromissos comerciais seguem em dia, apesar da crise financeira que levou a companhia a iniciar negociações para alongar dívidas com bancos.

No documento, a empresa destaca que a renegociação envolve apenas credores financeiros e não afeta o calendário de pagamentos às indústrias parceiras. O objetivo é evitar receio de calote que possa resultar em desabastecimento das lojas.

No mesmo dia, as ações do GPA caíram 17,77%, encerrando o pregão a R$ 2,59.

Rebaixamento de rating

A carta foi enviada um dia depois de a Fitch Ratings rebaixar a nota de risco da companhia de A para CCC. A agência apontou “capacidade muito fraca de pagamento” e “risco substancial de crédito”, citando:

  • aumento do risco de refinanciamento;
  • liquidez enfraquecida;
  • previsão de fluxo de caixa livre negativo no médio prazo, caso o endividamento não seja reduzido.

Mesmo assim, a Fitch considerou “possível” uma reestruturação de dívidas.

Novo controle acionário

A agência também mencionou a mudança na estrutura societária: a família Coelho Diniz passou a deter 24,6% do capital do GPA em maio do ano passado, substituindo o grupo francês Casino. Segundo a Fitch, ainda há “visibilidade limitada” sobre a estratégia de médio e longo prazos dos novos controladores.

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Imagem: redir.folha.com.br

Resposta do GPA

Em nota, o varejista afirmou que o rebaixamento não viola cláusulas (covenants) dos contratos de financiamento existentes.

Números do endividamento

De acordo com o balanço, o grupo possui:

  • R$ 1,7 bilhão em dívidas com vencimento em 2026;
  • R$ 1,2 bilhão de capital de giro líquido negativo ao fim do quarto trimestre;
  • R$ 4 bilhões em endividamento total;
  • aproximadamente R$ 16 bilhões em disputas tributárias classificadas como “perdas possíveis”, ainda não provisionadas.

No dia 24, notas explicativas do balanço alertaram para “incerteza relevante” quanto à continuidade operacional. Entre as medidas anunciadas estão a extensão de prazos de dívidas financeiras, redução de custos e monetização de créditos tributários.

Com a carta, o GPA busca preservar o abastecimento das lojas e conter preocupações dos parceiros enquanto tenta reestruturar sua posição financeira.

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