Luiz Phillipi Mourão, 43 anos, apontado pela Polícia Federal como principal operador do banqueiro Daniel Vorcaro em uma milícia privada, foi detido na quarta-feira (4) durante nova etapa da Operação Compliance Zero. Conhecido como “Sicário” na investigação federal e “Mexerica” nos registros policiais mineiros, ele já acumulava antecedentes por furto, estelionato e outros delitos.
Segundo a PF, Mourão chefiava ações do grupo “A Turma”, encarregado de coletar informações e vigiar alvos de interesse de Vorcaro. Conversas interceptadas mostram troca de mensagens sobre ameaças, inclusive a ideia de simular um assalto contra o jornalista Lauro Jardim, do jornal O Globo. A corporação afirma que Mourão teria acesso a bases de dados restritas de órgãos públicos no Brasil e no exterior para executar as ordens.
Após ser levado à Superintendência da PF em Minas Gerais, o investigado tentou suicídio horas depois da prisão. Ele recebeu socorro imediato e foi encaminhado a um hospital.
Mourão responde desde 2021 a ação penal na 5ª Vara Criminal de Belo Horizonte por crime contra a economia popular, organização criminosa e lavagem de dinheiro. O Ministério Público mineiro o acusa de liderar um esquema de pirâmide financeira iniciado em 2017, que prometia lucros elevados com supostos investimentos em títulos, ações e cotas. A denúncia inclui outras dez pessoas, entre elas a mãe e a irmã do réu.
De acordo com a Promotoria, ele utilizava a empresa King Motors Locação de Veículos e Participações, da qual é proprietário e administrador, para ocultar recursos ilícitos. Relatório do Coaf indica movimentação suspeita de R$ 3,3 milhões poucos meses após a fundação da companhia, em abril de 2020. Mourão também figura como sócio da King Participações Imobiliárias, citada pela decisão do ministro do STF André Mendonça que autorizou a operação desta semana.
Imagem: redir.folha.com.br
Registros da Polícia Civil de Minas Gerais mostram passagens do investigado por furto qualificado, estelionato, associação criminosa, falsificação de documento público, organização criminosa e crimes contra a economia popular. Agentes locais o descrevem como golpista envolvido em agiotagem, pirâmides de investimentos e negociação de veículos usados, além de possíveis ligações com o jogo do bicho e apostas ilegais.
Em nota, os advogados de Luiz Phillipi Mourão afirmaram que as acusações não refletem a realidade e que sua inocência será comprovada quando a defesa tiver acesso integral aos autos. Sobre o processo por pirâmide financeira, a banca sustenta que o caso ainda está em curso e que confia na absolvição do cliente.