São Paulo – O advogado e ex-diretor da Comissão de Valores Mobiliários (CVM) Pedro Oliva Marcilio de Sousa avalia que a sugestão de deslocar a supervisão dos fundos de investimento para o Banco Central (BC), aventada depois da operação da Polícia Federal (PF) contra a gestora Reag, não resolve o problema de lavagem de dinheiro e ainda fragiliza a estrutura de fiscalização do setor.
Em artigo divulgado nesta quinta-feira (segundo de uma série de cinco que serão publicados nas próximas três semanas), Marcilio de Sousa afirma que o escândalo envolvendo a Reag expôs um emaranhado de fundos usados para mascarar recursos do crime organizado. Diante do episódio, voltou a circular a proposta de que a competência regulatória, hoje da CVM, seja transferida ao BC.
Para o ex-diretor da CVM, a medida não faz sentido porque o BC já possui instrumentos para coibir práticas que ameacem a higidez do sistema financeiro, e porque a autarquia monetária tem sido questionada em casos recentes, como fraudes ligadas ao Pix, operações de fintechs, o episódio do Banco Master e reclamações de correntistas do Will Bank – além de a própria Reag ser fiscalizada pelo BC.
Em vez de alterar o modelo de supervisão, o especialista propõe:
Segundo Marcilio de Sousa, essas medidas não eliminariam a lavagem de dinheiro, mas aumentariam as chances de detecção e diminuiriam a vantagem de quem fragmenta operações para ocultar a origem dos recursos. O Coaf, reforça ele, continua sendo o órgão responsável por montar o “quebra-cabeça” das transações suspeitas, enquanto a CVM supervisiona a conduta de mercado e o BC cuida da política monetária.
Imagem: valorinveste.globo.com
“A verdadeira questão não é quem regula, mas como se regula”, resume o ex-diretor, defendendo que cada entidade aperfeiçoe suas ferramentas sem mudanças estruturais consideradas desproporcionais.
Os próximos três textos da série assinada por Pedro Oliva Marcilio de Sousa serão publicados nas quintas-feiras seguintes.