Pequim — O governo chinês fixou nesta quinta-feira (5) a menor meta de expansão do Produto Interno Bruto (PIB) desde 1991, estabelecendo um intervalo de 4,5% a 5% para 2026. O objetivo foi divulgado na abertura da sessão anual da Assembleia Popular Nacional (APN), conhecida como “Duas Sessões”, e busca enfrentar a estagnação do consumo interno e a crise no setor imobiliário.
Ao apresentar o relatório de atividades do governo, o primeiro-ministro Li Qiang admitiu que “as conquistas do ano passado foram muito difíceis de alcançar” e citou um cenário “grave e complexo”, marcado pela combinação de pressões externas e desafios domésticos.
No mesmo encontro, Pequim anunciou um aumento de 7% nas despesas militares, que chegarão a 1,9 trilhão de yuans (cerca de R$ 1,4 trilhão). Apesar da alta, o valor representa aproximadamente um terço do gasto equivalente dos Estados Unidos. O reforço busca sustentar as reivindicações chinesas sobre Taiwan e o mar do Sul da China, além de contrabalançar a presença norte-americana na região.
O relatório governamental também fixou:
Segundo dados oficiais, as exportações permaneceram robustas em 2025 e permitiram avanço econômico de 5%, com superávit comercial recorde de US$ 1,2 trilhão (R$ 6,2 trilhões), mesmo em meio à prolongada disputa tarifária com Washington.
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Durante as “Duas Sessões”, foi divulgado o projeto do 15º Plano Quinquenal, de 141 páginas, que será votado na próxima semana. Entre as prioridades estão:
O documento fixa metas de longo prazo, como dobrar o PIB per capita até 2035 em relação a 2020 e reduzir a taxa de desemprego para menos de 5,5%. A aprovação é dada como certa, já que o Parlamento opera sob orientação direta do Partido Comunista Chinês.
A segunda maior economia do mundo responde por cerca de um terço do crescimento global, mas enfrenta desequilíbrios estruturais, pressões comerciais dos Estados Unidos e demanda interna enfraquecida. O Partido Comunista defende a substituição do antigo modelo baseado em exportações e manufatura por um ciclo de expansão puxado pelo consumo.