A participação da caderneta de poupança no portfólio das investidoras brasileiras encolheu 14 pontos percentuais desde 2021, ainda que o produto siga presente em 69% desse público. O dado faz parte da 9ª edição do Raio X do Investidor Brasileiro, pesquisa da Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais (Anbima) realizada em parceria com o Datafolha.
De acordo com o levantamento, 31% das mulheres do país investem. Dentro desse grupo:
A pesquisa indica que 31% das investidoras veem o potencial de ganho como principal vantagem ao aplicar o dinheiro, enquanto 27% priorizam segurança. Para a Anbima, o dilema entre proteger o patrimônio e buscar rentabilidade explica o movimento de transição para produtos mais sofisticados.
“O medo de arriscar vem sendo substituído pela busca consciente de proteção contra a inflação e pelo entendimento de que pequenas oscilações podem ser benéficas no longo prazo”, afirma, em nota, Marcelo Billi, superintendente de Sustentabilidade, Inovação e Educação da Anbima. Ele atribui a mudança à redução dos valores mínimos de entrada, à adoção de plataformas abertas de investimento, à inclusão financeira promovida por bancos digitais e ao acesso facilitado à informação por influenciadores.
Entre as mulheres que já investem, 13% não possuem qualquer reserva de emergência. Outras 27% declaram que os gastos mensais superam a renda, e 47% afirmam viver com o orçamento no limite. Apenas 36% das investidoras contam com recursos suficientes para cobrir seis meses de despesas.
Imagem: infomoney.com.br
Quando são consideradas todas as mulheres — investidoras ou não —, o quadro se agrava: apenas 20% dispõem de uma reserva financeira superior a seis meses.
O Raio X do Investidor Brasileiro ouviu 5.832 pessoas com 16 anos ou mais em todas as regiões do país entre 4 e 21 de novembro de 2025. A amostra representa 168,1 milhões de brasileiros economicamente ativos, sendo 48% homens e 51% mulheres. A margem de erro é de um ponto percentual.