Juros futuros disparam e mercado passa a duvidar de corte de 0,5 ponto na Selic em março

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Os contratos de juros futuros negociados na B3 encerraram a sessão desta sexta-feira, 6 de março de 2026, em forte alta, contrastando com o desempenho de outros ativos domésticos de risco. Operadores apontam ajustes técnicos, com investidores zerando posições aplicadas, como principal fator por trás do movimento.

Cenário externo pressiona ponta curta

Na extremidade curta da curva, a escalada do conflito no Oriente Médio elevou os preços do petróleo. O barril do Brent para maio tocou US$ 92,63, o que levou participantes do mercado a revisar projeções de inflação e, consequentemente, as expectativas para a política monetária brasileira. O corte de 0,5 ponto percentual na Selic, anteriormente visto como provável na reunião do Comitê de Política Monetária (Copom) deste mês, tornou-se hipótese minoritária. Já há agentes que consideram a manutenção da taxa básica.

Abertura expressiva nos vértices intermediário e longo

Os vértices intermediários e longos chegaram a abrir cerca de 30 pontos-base logo no início do pregão, refletindo a maior aversão ao risco. Apesar de algum alívio durante a tarde, as taxas voltaram a avançar mais de 20 pontos nos minutos finais, movimento atribuído a novos ajustes de posição.

Fechamento das principais taxas

Ao fim dos negócios, os contratos de Depósito Interfinanceiro (DI) apresentaram as seguintes cotações:

  • DI para janeiro/2027: 13,67% (ante 13,505% no ajuste anterior)
  • DI para janeiro/2029: 13,30% (de 13,079%)
  • DI para janeiro/2031: 13,715% (de 13,469%)

Deslocamento semanal

No acumulado da semana, a curva ganhou inclinação e subiu de forma expressiva. Frente ao fechamento da sexta-feira anterior, o DI para janeiro/2027 avançou 39 pontos-base; o para janeiro/2029, 65 pontos; e o para janeiro/2031, 68 pontos.

Juros futuros disparam e mercado passa a duvidar de corte de 0,5 ponto na Selic em março - Imagem do artigo original

Imagem: Estadão Conteúdo via moneytimes.com.br

Fatores geopolíticos e ajustes técnicos

Marcelo Fonseca, economista do Grupo CVPAR, destaca que o fluxo de petróleo pelo Estreito de Ormuz, responsável por aproximadamente 20% da produção mundial, segue interrompido, enquanto ataques iranianos a refinarias da região agravam a restrição de oferta. Ele acrescenta que a aversão ao risco levou a uma redução generalizada de posições, intensificando a volatilidade dos DIs.

Um economista de uma grande tesouraria relata que, mesmo ponderando a volatilidade de cada ativo, os juros futuros exibiram a pior dinâmica do dia, impulsionados por ordens de “stop” de investidores que apostavam na queda das taxas.

Probabilidades para a Selic

Cálculos de Flávio Serrano, economista-chefe do Banco BMG, indicam que a curva precificava nesta tarde cerca de 65% de probabilidade de corte de 0,25 ponto na Selic em março, contra 50% na véspera. A taxa implícita para o fim de 2026 subiu para 12,95%. Embora ainda projete redução de 0,50 ponto, Serrano admite a chance de um corte menor caso a incerteza externa persista.

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