Washington, 4 de março – Após cinco anos de queda, os Estados Unidos registraram o maior crescimento anual em mais de duas décadas no Índice de Liberdade Econômica da Heritage Foundation. A pontuação norte-americana subiu 2,6 pontos em 2024, alcançando 72,8 e ocupando a 22ª posição entre 176 economias avaliadas.
O aumento de 2,6 pontos é o mais expressivo desde 2001 e o segundo maior nos 32 anos de histórico do indicador. O índice, divulgado anualmente, examina 12 liberdades agrupadas em quatro pilares: Estado de Direito, Tamanho do Governo, Eficiência Regulatória e Mercados Abertos.
Segundo Anthony Kim, pesquisador da Heritage Foundation, a melhora “reflete cortes de cargos públicos, redução no ritmo de gastos e reformas ousadas de desregulamentação e impostos”.
No pilar Estado de Direito, os EUA superaram a média global em direitos de propriedade, efetividade judicial e integridade governamental.
Em Tamanho do Governo, os resultados foram inferiores: carga tributária obteve 75,3 (média mundial: 78,4), gastos públicos marcaram 57,9 (66,3) e saúde fiscal ficou em 18,5 (65,9) devido ao elevado endividamento e déficits.
Na Eficiência Regulatória, liberdades empresarial, trabalhista e monetária permaneceram acima das médias internacionais.
Quanto a Mercados Abertos, a liberdade de comércio registrou 67,6, abaixo da média global de 70,2. Já liberdade de investimento e liberdade financeira atingiram 80 cada, bem acima dos parâmetros mundiais (53,4 e 48,1, respectivamente).
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No continente, os EUA ficaram em 3º lugar, atrás de Canadá (75,6) e Chile (74,3). O México pontuou 59,8, ocupando a 92ª posição global e a 19ª regional.
Os cinco países mais livres foram Singapura (84,4), Suíça (83,7), Irlanda (83,3), Austrália (80,1) e Taiwan (79,8). Na outra ponta, Coreia do Norte (3,1), Cuba (25,2), Venezuela (27,3), Sudão (32,5) e Zimbábue (35,2) figuraram entre os menores índices. Rússia (50,3), China (48,3) e Irã (41,8) também ficaram próximos do fim da lista.
Com avanço de 3,2 pontos, a Argentina registrou o maior ganho anual, atribuído pela Heritage às reformas econômicas conduzidas pelo presidente Javier Milei após a vitória nas eleições legislativas de outubro de 2025. Omã, Filipinas, Marrocos e Paraguai também apresentaram ganhos expressivos; neste último, o presidente Santiago Peña tem priorizado incremento da liberdade econômica e combate à corrupção.
Para Kim, o impacto de tarifas restritivas foi “mais brando do que se temia”, já que poucos países — além de China, Canadá e União Europeia — retaliaram, o que reduziu riscos de guerra comercial.