Sydney – A Ripple anunciou que deve garantir uma Licença Australiana de Serviços Financeiros (AFSL) a partir da compra da BC Payments Australia, empresa vinculada ao grupo europeu Banking Circle. O fechamento da operação está previsto para 1º de abril, segundo declarou Fiona Murray, diretora-geral da Ripple para Ásia-Pacífico, ao jornal The Australian.
De acordo com Murray, a demanda institucional por ativos digitais no país justifica o investimento. “Obter a licença sempre fez parte do nosso plano”, afirmou.
Com a AFSL, a Ripple pretende ampliar seu negócio de pagamentos no mercado australiano, passando a controlar todo o ciclo das transações: da integração do cliente e processos de conformidade ao financiamento, câmbio, gestão de liquidez e liquidação final, integrando infraestrutura bancária tradicional e ativos digitais.
Nos últimos 12 meses, a empresa obteve licenças de pagamentos em Singapura, Emirados Árabes Unidos e Reino Unido, além de aprovação condicional para um estatuto nacional de banco fiduciário nos Estados Unidos. Paralelamente, a Ripple vem fortalecendo seu portfólio com aquisições como a do prime broker não bancário Hidden Road — rebatizado de Ripple Prime — e da plataforma de tesouraria corporativa GTreasury. O negócio com a Hidden Road tornou a companhia a primeira nativa do setor cripto a controlar um prime broker multiactivos que oferece serviços de clearing, financiamento e corretagem em criptoativos, derivativos, swaps, câmbio e títulos de renda fixa.
A iniciativa da Ripple coincide com a tramitação do projeto de lei Digital Asset Framework, aprovado pela Câmara dos Deputados em fevereiro e atualmente em análise no Senado. O órgão regulador local, a Comissão Australiana de Valores Mobiliários e Investimentos (ASIC), propôs novas regras para o setor e incentivou plataformas de negociação de criptoativos a obterem a AFSL, embora tenha informado que não tomará medidas de fiscalização sobre licenciamento antes de 30 de junho de 2026.
Imagem: cointelegraph.com
Outra gigante do mercado, a Coinbase, também busca a licença australiana nos próximos meses.
Fiona Murray disse esperar que a adoção generalizada da AFSL reduza o chamado “debanking” — bloqueios ou restrições impostas por bancos a clientes que desejam transferir fundos para exchanges de criptomoedas. Os quatro maiores bancos do país (Commonwealth Bank, Australia and New Zealand Banking Group, National Australia Bank e Westpac) aplicam diferentes níveis de restrições a transações com exchanges.
Em entrevista durante a conferência XRP Australia, realizada em 27 de fevereiro, a CEO da OKX Australia, Kate Cooper, afirmou que as barreiras bancárias continuam prejudicando a adoção local: “Ainda é um desafio para o setor; não vimos melhorias e trabalhamos com o governo para estabelecer padrões nesse sentido”.