A expansão vertiginosa de tecnologias como inteligência artificial, biologia sintética, robotização e energias renováveis tem superado a capacidade de resposta dos órgãos reguladores ao redor do mundo, segundo análise do executivo Estevão Scripilliti, diretor da Bradesco Vida e Previdência.
Scripilliti observa que setores da economia global estão sendo remodelados em ritmo sem precedentes. No mercado financeiro, por exemplo, a IA generativa e a automação de processos já elevam a eficiência operacional, possibilitam hiperpersonalização de produtos e atraem novos participantes para áreas como crédito, seguros e investimentos.
O fenômeno conhecido como “pacing problem” — quando a inovação supera a velocidade de ajuste das normas — foi apontado como fator de risco para a formação de bolhas de ativos, contágio sistêmico e ataques cibernéticos. Exemplos incluem moedas e ativos digitais, meios de pagamento transnacionais e operações de tokenização baseadas em blockchain, muitas vezes distribuídas por diversas jurisdições.
Para o diretor, melhorias regulatórias não devem ser vistas como obstáculos, mas como garantias de segurança e sustentabilidade de longo prazo. Ele defende regras baseadas em evidências, atualização contínua de dados e maior transparência, além de alguma forma de governança global para reduzir arbitragens entre países.
Scripilliti ressalta que a inteligência artificial, capaz de operar de forma autônoma em grande escala, demanda governança rigorosa para evitar decisões algorítmicas imprevisíveis. O executivo cita o livro “A próxima onda: Inteligência Artificial, Poder e o Maior Dilema do Século XXI”, de Mustafa Suleyman e Michael Bhaskar, como referência para a urgência nesse debate.
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Entre as soluções apontadas está o uso de “sandboxes” regulatórios, que permitem testes controlados de inovações com diálogo constante entre empresas, governos e reguladores. Segundo ele, modelos desse tipo aceleram o desenvolvimento tecnológico sem comprometer a estabilidade financeira.
Para evitar crises futuras, o especialista recomenda que governos adotem mecanismos que antecipem riscos, monitorem o mercado de forma sistemática e prevejam planos de ação rápidos — incluindo contingências e eventuais punições — sem sufocar a criatividade de agentes econômicos e sociais.