Levantamento da consultoria Seneca Evercore indica que, das 94 aberturas de capital concluídas na B3 a partir de 2014, somente 75 companhias ainda permanecem listadas e apenas 17 acumulam retorno positivo até 19 de fevereiro deste ano.
O estudo mostra ainda que, entre as empresas sobreviventes, apenas sete superam o desempenho do Ibovespa no período e oito rendem mais que o CDI.
Para avaliar os resultados, a consultoria dividiu as 75 ações em quatro categorias:
Entre as ações listadas, as cinco maiores valorizações acumuladas até 19 de fevereiro são:
Na outra ponta, os maiores recuos são:
Segundo Daniel Wainstein, sócio-fundador da Seneca Evercore, boa parte das companhias aumentou receita após a abertura de capital, mas não converteu esse avanço em geração consistente de lucro, o que se reflete diretamente nas cotações. Ele aponta três fatores principais:
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Wainstein lembra que a taxa Selic saiu de 2% para 13,75% ao ano em pouco tempo, elevando o custo de capital e reduzindo os múltiplos de mercado. Nesse contexto, investidores migraram para a renda fixa, favorecida pelo CDI acima de 13%, enquanto vários IPOs foram precificados com premissas de crescimento consideradas otimistas.
Entre 2020 e 2021, cerca de 70 operações foram lançadas em meio a juros baixos e expansão da base de investidores pessoa física. Com a reversão do cenário, muitos papéis passaram a ser negociados abaixo do preço de estreia, o que aumentou a cautela dos investidores e praticamente estagnou o mercado de ofertas a partir de 2022.
De acordo com o executivo, a retomada de novas emissões depende de juros reais consistentemente menores, menor volatilidade e histórico recente de desempenho favorável das ações já listadas. A perspectiva de queda da Selic é vista como vento a favor, mas a proximidade do calendário eleitoral tende a elevar o prêmio de risco e adiar planos de abertura de capital, sobretudo em setores regulados como energia, saneamento e infraestrutura.