Apenas 17 dos 94 IPOs realizados na B3 desde 2014 registram valorização, aponta Seneca Evercore

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Levantamento da consultoria Seneca Evercore indica que, das 94 aberturas de capital concluídas na B3 a partir de 2014, somente 75 companhias ainda permanecem listadas e apenas 17 acumulam retorno positivo até 19 de fevereiro deste ano.

O estudo mostra ainda que, entre as empresas sobreviventes, apenas sete superam o desempenho do Ibovespa no período e oito rendem mais que o CDI.

Quatro grupos de performance

Para avaliar os resultados, a consultoria dividiu as 75 ações em quatro categorias:

  • Grupo 1 – 19 papéis com melhor desempenho, exibindo taxa média de crescimento anual composta (CAGR) de 9,7%, avanço de receita de 27,1% ao ano e lucro líquido 19,9% maior ao ano;
  • Grupo 2 – 19 companhias de resultado intermediário, com CAGR médio de -5,5%, crescimento de receita satisfatório, porém evolução de lucro abaixo do esperado;
  • Grupo 3 – 19 empresas com CAGR médio de -19,6% e recorrência de prejuízos ou lucros irregulares;
  • Grupo 4 – 18 companhias que registram CAGR médio de -49,8% e enfrentam maiores problemas operacionais e financeiros.

Maiores altas desde o IPO

Entre as ações listadas, as cinco maiores valorizações acumuladas até 19 de fevereiro são:

  • Cury (CURY3): +336,8%
  • Orizon (ORVR3): +229,5%
  • Vibra (VBBR3): +114,1%
  • Lavvi (LAVV3): +107,6%
  • Neoenergia (NEOE3): +104,7%

Piores quedas desde o IPO

Na outra ponta, os maiores recuos são:

  • Infracomm (IFCM3): -99,99%
  • Sequoia Logística (SEQL3): -99,98%
  • Azul (AZUL5): -99,7%
  • Agrogalaxy (AGXY3): -98,4%
  • Aeris (AERI3): -97,8%

Receita cresce, mas lucro não acompanha

Segundo Daniel Wainstein, sócio-fundador da Seneca Evercore, boa parte das companhias aumentou receita após a abertura de capital, mas não converteu esse avanço em geração consistente de lucro, o que se reflete diretamente nas cotações. Ele aponta três fatores principais:

  • crescimento de receita sem expansão proporcional do lucro, especialmente nos Grupos 3 e 4;
  • compressão das margens líquidas no período pós-IPO, sugerindo maiores despesas e menor rentabilidade;
  • destruição de valor mais severa no Grupo 4, associada a obstáculos operacionais e financeiros relevantes.

Influência do cenário macroeconômico

Wainstein lembra que a taxa Selic saiu de 2% para 13,75% ao ano em pouco tempo, elevando o custo de capital e reduzindo os múltiplos de mercado. Nesse contexto, investidores migraram para a renda fixa, favorecida pelo CDI acima de 13%, enquanto vários IPOs foram precificados com premissas de crescimento consideradas otimistas.

Entre 2020 e 2021, cerca de 70 operações foram lançadas em meio a juros baixos e expansão da base de investidores pessoa física. Com a reversão do cenário, muitos papéis passaram a ser negociados abaixo do preço de estreia, o que aumentou a cautela dos investidores e praticamente estagnou o mercado de ofertas a partir de 2022.

Condições para reabertura da janela de IPOs

De acordo com o executivo, a retomada de novas emissões depende de juros reais consistentemente menores, menor volatilidade e histórico recente de desempenho favorável das ações já listadas. A perspectiva de queda da Selic é vista como vento a favor, mas a proximidade do calendário eleitoral tende a elevar o prêmio de risco e adiar planos de abertura de capital, sobretudo em setores regulados como energia, saneamento e infraestrutura.

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