Após o entusiasmo da véspera com sinais de trégua no Oriente Médio, o mercado brasileiro voltou a demonstrar cautela nesta quarta-feira (11). Mesmo com a inflação dos Estados Unidos em linha com o previsto e o pedido de recuperação extrajudicial da Raízen chamando atenção, o comportamento do petróleo permaneceu no centro dos negócios.
Os contratos do Brent para maio avançaram 4,76%, a US$ 91,98 o barril, enquanto o WTI para abril subiu 4,55%, para US$ 87,25. A escalada ocorreu apesar do anúncio do G7 e da Agência Internacional de Energia sobre a liberação de 300 a 400 milhões de barris de reservas emergenciais, medida que só conteve temporariamente a pressão sobre os preços. A persistência da guerra e as dificuldades de navegação no Estreito de Ormuz alimentaram os receios de oferta restrita e de inflação global mais resistente.
Nesse ambiente, o Ibovespa oscilou durante todo o dia, mas recuperou fôlego no fim do pregão e encerrou com alta de 0,28%, aos 183.969 pontos. No acumulado da semana, o índice sobe 2,57%; no mês reduz a perda para 2,55%; e, no ano, avança 14,18%.
O desempenho positivo do principal indicador da B3 foi garantido sobretudo pela Petrobras. As ações preferenciais PETR4 ganharam 4,29% e as ordinárias PETR3, 5,02%, acompanhando a valorização da commodity. Outros papéis do segmento de óleo e gás também registraram volume acima da média, contribuindo para limitar a volatilidade do índice.
No lado oposto, os investidores reagiram negativamente ao pedido de recuperação extrajudicial da Raízen, que busca reestruturar dívidas de R$ 65,1 bilhões. As ações RAIZ4 despencaram, marcando o maior processo desse tipo já protocolado no país e reforçando a percepção de condições financeiras mais apertadas em diferentes setores.
O temor de inflação persistente elevou a aversão ao risco e sustentou o dólar, que subiu 0,04% frente ao real, a R$ 5,15. Ainda assim, a moeda acumula queda de 1,62% na semana e perda de 6,01% em 2026. Nos juros futuros, o contrato de Depósito Interfinanceiro (DI) para janeiro de 2027 passou de 13,55% para 13,64% ao ano; o de janeiro de 2031 foi de 13,42% para 13,53%; e o de janeiro de 2036, de 13,64% para 13,70%.
Imagem: Budimir Jevtic via valorinveste.globo.com
A combinação de câmbio pressionado e petróleo em alta levou parte do mercado a revisar as apostas para a reunião do Comitê de Política Monetária marcada para 18 de março. A maioria agora projeta corte de 0,25 ponto percentual na Selic, enquanto alguns agentes já cogitam adiamento do ciclo de afrouxamento.
Divulgado nesta manhã, o índice de preços ao consumidor (CPI) dos Estados Unidos subiu 0,3% em fevereiro, mantendo a taxa anual em 2,4% e dentro das expectativas. Contudo, analistas observam que o dado não captura o impacto recente da escalada do petróleo, elemento que pode levar o Federal Reserve a manter postura conservadora na condução dos juros.
Entre as 85 ações que compõem o Ibovespa, apenas 19 fecharam no azul, evidenciando a cautela dos investidores diante de um cenário ainda dominado pela volatilidade do petróleo e pelos riscos de inflação.