Brasília – O Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) identificou a transferência de R$ 707 milhões do empresário Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, para a offshore Titan Holding, registrada nas Ilhas Cayman, enquanto ele negociava a venda de 58% do banco ao BRB (Banco Regional de Brasília).
Segundo Relatório de Inteligência Financeira, os envios ocorreram entre 31 de janeiro e 2 de abril de 2025:
• 31.jan.2025 – Master Participações vendeu cotas do fundo Quíron à Titan por R$ 85,2 milhões.
• 28.fev.2025 – Banco Master repassou R$ 66,3 milhões em cotas do fundo Saint Germain para a empresa nas Ilhas Cayman.
• 02.abr.2025 – R$ 555,8 milhões em cotas do fundo GSR foram transferidos para o fundo Krispy, cujo único cotista é a Titan.
A venda ao BRB foi anunciada em 28 de março de 2025, após tratativas mantidas em sigilo desde o fim de 2024. Em 3 de setembro do mesmo ano, o Banco Central vetou a operação.
O Coaf apontou divergências nos registros da Titan: patrimônio líquido informado de R$ 300 milhões em 2 de maio de 2025 e de R$ 20 milhões em 16 de maio.
O relatório cita mais de 200 fundos que negociavam entre si, incluindo Quíron, Krispy e Tessália. Neste último, a Titan aplicou R$ 314,7 milhões em 14 de julho de 2025.
Imagem: redir.folha.com.br
Em 5 de março de 2026, o Banco Central determinou a indisponibilidade dos bens da offshore por sua ligação com a estrutura controlada por Vorcaro.
A Polícia Federal investiga se aumentos de capital que injetaram R$ 1 bilhão no BRB financiaram a compra de carteiras do Banco Master. Os recursos teriam possibilitado aquisições adicionais de R$ 10 bilhões, elevando o total adquirido para R$ 21,9 bilhões.
A defesa de Daniel Vorcaro não se manifestou até a conclusão desta edição.