Brasília — A Segunda Turma do Supremo Tribunal Federal (STF) formou maioria, nesta sexta-feira (13), para manter a prisão preventiva de Daniel Vorcaro, proprietário do Banco Master, detido na terceira fase da Operação Compliance Zero.
O ministro Nunes Marques acompanhou o voto do relator André Mendonça, seguido por Luiz Fux, totalizando três votos favoráveis à manutenção da medida. Apenas Gilmar Mendes ainda não se pronunciou e tem até 23h59 da próxima sexta-feira (20) para registrar seu voto no plenário virtual. Dias Toffoli não participa do julgamento por ter se declarado suspeito por motivo de foro íntimo.
A terceira etapa da investigação, autorizada por Mendonça e deflagrada em 4 de março, cumpriu quatro mandados de prisão preventiva e 15 de busca e apreensão. Além de Vorcaro, foram presos o empresário Fabiano Zettel, cunhado do banqueiro, e outras duas pessoas. Entre elas, Luiz Phillipi Mourão, conhecido como “Sicário”, que se suicidou após ser detido na Superintendência da Polícia Federal em Belo Horizonte (MG).
O inquérito apura suspeitas de ameaça, corrupção, lavagem de dinheiro e invasão de dispositivos informáticos praticados por uma suposta organização criminosa. Segundo a Polícia Federal, Vorcaro mantinha uma estrutura privada de vigilância e coerção para obter informações sigilosas e intimidar adversários, incluindo ex-empregados, concorrentes e jornalistas. Em grupo de WhatsApp intitulado “A Turma”, o banqueiro teria determinado ações de intimidação. Zettel seria o responsável por operacionalizar pagamentos ao grupo.
Imagem: Ana Paula Paiva via valorinveste.globo.com
Vorcaro já havia sido preso preventivamente em novembro de 2025, na primeira fase da Operação Compliance Zero, mas teve a detenção revogada pela desembargadora Solange Salgado, do Tribunal Regional Federal da 1ª Região, quando o caso ainda tramitava na primeira instância.
Com três votos pela manutenção da prisão e apenas um ministro a votar, a expectativa no STF é de que o resultado seja confirmado, encerrando o julgamento na próxima semana ou antes, caso Gilmar Mendes deposite seu voto antecipadamente.