Europeus criticam suspensão temporária de sanções dos EUA a petróleo russo, enquanto Japão e Tailândia avaliam compras

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A decisão dos Estados Unidos de suspender por 30 dias as sanções que impediam a compra de petróleo e derivados russos provocou reações negativas de líderes europeus nesta sexta-feira (13) e despertou o interesse de possíveis compradores asiáticos.

Críticas na Europa

O presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelensky, declarou que a medida pode gerar até US$ 10 bilhões em receitas para Moscou e “certamente não ajuda a alcançar a paz”. Ele falou após encontro com o presidente da França, Emmanuel Macron, em Paris.

Macron reforçou que a flexibilização é “temporária e limitada”, mas defendeu a manutenção integral das sanções do G7 contra a Rússia. O chanceler alemão, Friedrich Merz, classificou a decisão como “errada”, alegando que o problema atual é de preço, não de oferta, e cobrou explicações de Washington. Já o governo britânico afirmou que todos os aliados devem “manter a pressão” sobre o Kremlin.

Impacto financeiro e militar

A União Europeia ainda negocia um empréstimo de € 90 bilhões para ajudar Kiev, parte dele destinado à compra de armas. Zelensky teme que o conflito no Oriente Médio reduza o envio de sistemas de defesa antiaérea ocidentais para a Ucrânia, pois vários países do Golfo Pérsico usaram seus estoques para repelir mísseis disparados do território iraniano.

Posição de Moscou e dos EUA

Em Moscou, o porta-voz Dmitry Peskov pediu o fim de mais restrições às exportações de petróleo russas, afirmando que a estabilização do mercado global “é impossível” sem volumes significativos do país.

O secretário do Tesouro americano, Scott Bessent, reconheceu que a isenção de 30 dias pode dificultar os esforços para reduzir a fonte de financiamento da guerra na Ucrânia.

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Imagem: redir.folha.com.br

Mercado asiático mostra interesse

Após o anúncio, os governos de Japão e Tailândia sinalizaram que podem aproveitar a janela para adquirir petróleo russo. Segundo o enviado presidencial russo Kirill Dmitriev, a medida dos EUA pode liberar cerca de 100 milhões de barris — volume equivalente a quase um dia da produção global.

Estoque e preços

De acordo com a consultoria Vortexa, 7,3 milhões de barris de petróleo russo estão em armazenamento flutuante, enquanto 148,6 milhões seguem em trânsito. Dados de rastreamento da LSEG indicam até 420 mil toneladas métricas de diesel e gasóleo estocadas em navios, prontas para venda.

Os preços do barril recuaram na manhã de sexta-feira na Ásia, movimento atribuído ao alívio temporário das restrições. Na segunda-feira (9), antes da decisão de Washington, a cotação havia chegado perto de US$ 120, impulsionada pela escalada do conflito no Oriente Médio.

Próximos passos

A suspensão das sanções vale por 30 dias e cobre cargas de petróleo e derivados russos retidos em alto-mar. Washington pretende avaliar o impacto da medida no abastecimento e nos preços antes de decidir se prorroga ou encerra a isenção.

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