Os fundos multimercados acumulam desempenho negativo em março na maior parte das categorias acompanhadas pela Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais (Anbima). Até 10 de março, nove das 11 estratégias exibiam retorno médio abaixo de zero.
Na liderança entre os ganhos aparecem os produtos de Juros e Moedas, com alta média de 0,44% no mês, seguidos pelos Balanceados, que avançam 0,12%. Do outro lado, os maiores recuos são vistos nos fundos Long and Short Neutro (-1,56%) e Macro (-1,40%).
Veja os resultados médios de cada estratégia em março e no acumulado do ano:
Apesar do cenário de perdas, a classe de multimercados registra captação líquida positiva de R$ 717 milhões em março. O resultado é sustentado principalmente pelos fundos de Investimento no Exterior e de Estratégia Específica. Já as categorias Juros e Moedas e Livre concentram os maiores volumes de resgates no período.
De acordo com Bruno Maueler, co-CIO e diretor de Soluções de Investimentos da Azimut Brasil Wealth Management, muitos gestores dos fundos Macro estavam posicionados em apostas consideradas pró-risco, como a migração de capital de ativos norte-americanos para mercados emergentes. A aversão ao risco provocada pelo aumento das tensões geopolíticas reduziu o apetite por essas posições.
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Maueler destaca ainda que diversas casas estavam vendidas em petróleo e compradas em ouro. A disparada nos preços do barril, somada à queda do metal precioso após o início do conflito, ampliou as perdas. “Foi uma tempestade perfeita, com alguns fundos perdendo até 5% e sendo obrigados a desmontar posições muito consensuais”, afirma.
Segundo o executivo, o comportamento dos fundos daqui para frente dependerá da evolução da crise e das decisões de cada gestor. Parte dos produtos, por política interna, deve reduzir exposição depois de um tombo, o que pode limitar eventual recuperação rápida do mercado. Já aqueles que mantiveram as posições podem se beneficiar de uma eventual normalização, caso ela ocorra.
Maueler ressalta que o cenário permanece incerto, com risco de novos choques no preço do petróleo e possibilidade de estagflação global. Para o investidor, diz ele, os multimercados continuam sendo uma forma de diversificar a carteira, oferecendo desempenho diferente ao de títulos indexados à inflação, ativos isentos ou ações.