O iFood continua líder absoluto no delivery de refeições no Brasil, detendo mais de 70% desse mercado e cerca de 57% do ecossistema geral de entregas online, segundo relatório divulgado pelo BTG Pactual.
No último ano fiscal, a plataforma processou quase 1,3 bilhão de pedidos, crescimento de 29% em relação ao período anterior. O valor bruto de mercadorias (GMV) avançou 32% na mesma base de comparação.
Estimativas do setor indicam que o iFood reúne 55 milhões de usuários ativos, 400 mil estabelecimentos parceiros e cobertura em 1.500 cidades. A controladora Prosus informa que os compradores únicos mensais no negócio principal de entrega de comida chegam a 25 milhões.
A saída do Uber Eats do país, em 2022, evidenciou a dificuldade dos concorrentes para competir com o efeito de rede construído pelo iFood, que combina consumidores, entregadores, restaurantes, infraestrutura logística, ferramentas de publicidade e programas de fidelidade.
Além da entrega de refeições, o iFood fortalece frentes de supermercado e farmácia. As chamadas “iniciativas de crescimento” registraram receita de US$ 214 milhões no ano fiscal de 2025, alta de 34%. Somente a vertical de supermercados respondeu por US$ 78 milhões, avanço de 30%.
A companhia aproveita a mesma malha logística e a base de consumidores para ampliar a frequência de compras. O BTG ressalta que carrinhos maiores, margens menores e necessidade de coordenação de estoque tornam a operação de supermercados mais complexa, mas a regularidade dos pedidos gera oportunidades adicionais de monetização.
A concorrência já reage. A Amazon lançou o Amazon Now em São Paulo, prometendo entregas de supermercado em até 15 minutos, enquanto o Mercado Livre expande parcerias e iniciativas de entrega rápida. Para o banco, o delivery de supermercado tornou-se o principal front da disputa nas grandes cidades.
Imagem: Cecília de O via moneytimes.com.br
Dentro do ecossistema do iFood, a entrega de itens farmacêuticos aparece entre as áreas que mais avançam: os pedidos subiram 78% em 2024. Segundo o relatório, a urgência de compra, o ticket médio elevado e o raio curto de entrega favorecem a categoria, que costuma registrar demanda noturna e em situações emergenciais.
O BTG aponta a regulação como obstáculo relevante. Em 2023, o Conselho Administrativo de Defesa Econômica (CADE) limitou cláusulas de exclusividade entre o iFood e grandes redes de restaurantes, buscando reduzir barreiras para rivais. Também seguem em debate mudanças nas regras trabalhistas voltadas a entregadores, o que pode pressionar custos das plataformas.
Rappi e Mercado Livre investem em entregas rápidas e infraestrutura própria — o primeiro por meio de dark stores; o segundo, com dezenas de centros de distribuição e frota própria. Para os analistas, a disputa tende a se concentrar menos em segmentos isolados e mais na capacidade de criar plataformas completas de consumo cotidiano.
Mesmo com a liderança consolidada, o iFood enfrenta um cenário competitivo cada vez mais acirrado, marcado por inovações logísticas e expansão de categorias de produtos.